
Menos de dois meses para o reset anual. Que ano! Quantas reviravoltas.
À medida que 2024 se aproxima do fim, é inevitável refletir sobre alguns ensinamentos que este ano me trouxe. Um ano marcado por altos e baixos, pela alegria e pela dor, e, mesmo assim, por uma gratidão em aprender com cada experiência, boa ou ruim.
Nesse momento, ao elaborar as palavras para escrever esse texto, sinto que também carrego um peso no peito – a saudade e a tristeza por momentos que gostaria que nunca tivessem acontecido.
Este ano trouxe perdas que doeram fundo. Uma amizade que se foi para o plano espiritual, relacionamentos que não se fortaleceram como eu esperava, e desafios emocionais que testaram minha resiliência. Aprendi que a dor é uma professora severa, mas necessária. Ela me ensinou sobre a fragilidade da vida, sobre a impermanência das coisas e sobre a importância de valorizar os momentos e as pessoas.
Em meio a tudo isso, percebi que o luto tem seu próprio tempo e que não há pressa para curar. Não preciso acelerar! Cada lágrima derramada é um passo em direção à aceitação, e a saudade é o eco de um amor que permanece vivo. Aprendi que é ok sentir tristeza, que expressar vulnerabilidade é um sinal de força e não de fraqueza.
Reconheço que já estive com a minha saúde emocional mais alinhada e que hoje ela mais se parece com um reflexo em um espelho embaçado: quero ver claramente, mas tudo parece confuso e fora de foco. Ultimamente, sinto como se estivesse lutando contra uma tempestade interna. Alergias que incomodam, espinhas que surgem em um momento indesejado, noites mal dormidas onde os pensamentos correm como um rio turbulento, e a ansiedade que se instala como se fosse uma visitante não convidada, tornando tudo mais difícil.
Esses pequenos (ou grandes) desafios físicos têm um impacto na minha vida. Olho no espelho e vejo não apenas a aparência, mas uma história. As espinhas marcam minha pele, mas também marcam momentos de insegurança e fragilidade. As noites mal dormidas afetam minha energia, minha capacidade de enfrentar o dia e a forma como me percebo.
A ansiedade se torna uma sombra constante, me lembrando do que preciso fazer, do que não fiz, e das expectativas que parecem cada vez mais pesadas. A pressão parece um fardo que carrego a cada passo, e, em meio a tudo isso, me pergunto: como posso cuidar de mim mesma quando as coisas parecem tão desafiadoras?
Decido que não serei dura comigo mesma. Não sou e não preciso ser perfeita, não preciso corresponder a nenhuma expectativa e sigo buscando pequenas coisas que possam me trazer conforto e bem estar: uma corrida, uma saída com os amigos, uma conversa regada a vinhos, uma viagem ou até mesmo um momento para simplesmente olhar para o céu e respirar. Em tempos de turbulência, lembrar que é ok não estar bem, que cuidar de mim é uma prioridade, pode ser o caminho para buscar novos horizontes e encontrar equilíbrio.
E escrevendo tudo isso, muitos parágrafos desconexos, já que até a fluidez desse texto não está seguindo a minha característica de escrever, chego à conclusão de que esse, definitivamente, não foi o meu melhor ano. E o pior de tudo é que vou entrar em campo em 2025 sem uma amiga que esteve presente nas fases mais importantes da minha vida, e a ideia de que não teremos mais novas histórias para contar é um peso insuportável.
Ainda estou de luto. A saudade se torna uma companhia, uma constante “reminder” do que foi perdido. Às vezes, é uma lágrima que escorre sem aviso, um riso que surge ao lembrar de algo, uma música que nos fazia dançar juntas ou um lugar que era o perfil dela. Estas lembranças são reconfortantes, mas também trazem a dor da consciência de que não mais teremos a oportunidade de criá-las.
E assim, caminho rumo ao próximo ano com a memória dos momentos com essa amiga, com meus dramas pessoais, com minhas inseguranças, com minhas esperanças de que o que não foi bom esse ano será bom em 2025. Não tenho pressa que o novo ano chegue. Ainda tenho 56 dias para ter boas experiencias, mas que ele venha… E venha com calma pois já sinto o frescor de lindos capítulos…