
9:12 da manhã minha terapeuta me envia mensagem confirmando meu atendimento da próxima terça-feira. Olhei para a tela do celular e só consegui pensar sem ao menos responder: “Obvio que sim!”
E assim começa minha crônica.
Hoje, uma sexta-feira como qualquer outra, exceto pelo fato de me programar para comemorar o aniversário de uma amiga.
Trabalho, envio mensagem para o bar reservando mesa, entro em contato com a doceria perguntando sobre bolo, trabalho novamente, recebo as respostas, volto a trabalhar.
12:00 horário de almoço. Saio com a Rosania e a Bruna num restaurante próximo sem ter um pingo de fome (eu também uso expressões populares; aqui o pingo é de fome e não de agua. Hahahaha). Encontro um ex da juventude que não esperava encontrar e relembro um pouquinho da nossa história com seus bons e maus momentos. Retorno ao trabalho, olho para o relógio e só se passaram 42 minutos. E aqui estou, utilizando o restante do tempo de almoço que me sobra antes de voltar a trabalhar.
Poderia citar um milhão de motivos pelos quais eu me tornei uma ostra, mas vou limitar esse texto em dizer que, depois de muita terapia, eu aceito esse meu jeito de ser.
Aprendi a lidar sozinha com meus altos e baixos, com as minhas inseguranças, com as angústias que surgiam.
E, definitivamente, nunca fui de pedir socorro. Eu nunca fui de pedir ajuda. Eu sempre sofri caladinha no escuro do meu quarto, E foi por isso que comecei a escrever. Eu precisava vomitar certas coisas e gastava as pontas dos meus dedos em textos e mais textos sobre os mais diversos assuntos que me martirizavam a vida. Fiz das palavras o meu refúgio. Fiz da escrita a minha válvula de escape. O problema é que, às vezes, a gente só precisa ouvir de alguém um conselho que pode até não resolver nada do nosso problema, mas é uma visão nova sobre tudo aquilo que já estamos cansadas de viver, de ver, de ouvir, de sentir. Ou precisamos, pelo menos, que alguém coloque a nossa cabeça no colo e faça cinco minutos de cafuné.
Os textos ajudam a acalmar. A processar. Ajudam a me entender. Mas eles só respondem às perguntas cujas respostas eu mesma já sei. Não existe um outro interlocutor. Sou eu, eu mesma e as minhas paranoias, meus desabafos, minhas indagações.
As minhas incertezas camufladas em certezas absolutas que não farão mais sentido depois que eu conseguir dormir e o despertador me chamar para mais um dia.
E eu sou assim desde criança… Apesar de ser da área de comunicação, tenho dificuldades de me expressar, de me abrir e de falar sobre assuntos pessoais.
Só que não se engane. Geralmente, quem mais tem dificuldade de falar de si consegue ser um ótimo ouvinte. E eu sempre fui. Se uma amiga minha tinha uma dor, ela doía em mim também. Se uma amiga minha tinha um problema, eu também tinha um problema. Se uma amiga minha precisava de ajuda – prazer, meu nome é ajuda. E eu sempre tirei forças, Deus sabe de onde, para ser atenciosa, prestativa, para ser solícita e estar presente quando elas mais precisavam. Alice, Claudia(s), Flavia, Luciana, Isabel, Viviane, Eliete, Raquel, e muitas outras amigas que viam em mim uma confidente sem nunca precisarem me rotular tal qual.
Mas o fato é que as vezes quem precisava era eu… E não tinha ninguém, exceto a minha terapeuta.
E não é porque as amigas não queriam me ajudar. Quer dizer, algumas, de fato, não estavam nem aí, mas as que aparentemente se interessariam em me estender a mão nunca sequer sabiam das minhas dores. Eu sempre tive muita dificuldade em me dividir.
Eu sempre ouvi: “Kátia, parece até que você não tem problemas, tá sempre bem, tá sempre sorrindo, tá sempre com um astral lá em cima”. Algumas amigas como a Regina só olham e já entende que tem algo que não está lá muito bem, ou, outras vezes, indo na contramão da maioria, quando todos acham que não estou legal ela sabe que está tudo dentro dos conformes. Talvez ela seja uma amiga mais sensitiva, ou talvez me conheça mesmo e ponto. Aceite que dói menos. Hahahaha.
Por isso, te digo: sempre que olhar para o outro, use os olhos do coração. Nem todo mundo é o sorriso que estampa…
Com a terapia comecei a melhorar em alguns aspectos e entender que amizade também é uma via de mão dupla e que tudo bem não ser só sorrisos, as vezes a gente não está legal e chora e desabafa. Regina, Renan, Lívia, Rozi, Suzan, Angélica Dias e minha irmã Kelly entendem o que estou querendo dizer.
Minha terapeuta sempre disse que podemos nos abrir mais, que não precisamos ter medo de se sentir um peso na vida das pessoas e que faz parte dançar a valsa da instabilidade emocional. (Tudo bem que talvez ela queira garantir o dela, mas… É isso! Quem nunca!?)
Não tenho mais problema em dizer que, Prazer, eu sou uma Ostra!
Mas meu coração é uma pérola… Rara e Valiosa!
13:22, termino esse texto e constato de que não tenho nenhuma dúvida disso!