
Escrevo esse texto no bloco de notas do meu celular olhando para o mar enquanto meus primos e irmã se jogam na água como crianças. Um vento morno passa pela minha pele me causando certo arrepio.
Amo essa amplitude, hoje ela está azul… O leve calor do sol me reconforta… O aroma de sal lavado e uma inquieta serenidade tomam conta dos meus sentidos.
O mar sempre me deixa reflexiva… Mas hoje, sinto uma sensação de bem estar, de aconchego… Talvez seja 2024 já emanando sobre mim as vibrações que tanto pedi. (Acho que só faltava mesmo pular as 7 ondinhas e fazer os 7 pedidos – algo que estou fazendo aqui).
Pra quem não se liga em rituais, cada pulo durante a simpatia deve ser acompanhado de um pedido que você deseja que seja realizado no ano. De acordo com a tradição, após pular as 7 ondas, o ideal é não virar de costas para o mar, pois pode atrair má sorte nas finanças.
Esse texto não é o meu habitual do começo de ano com os itens e desejos a serem realizados 2024, e apesar de ter começado a escrevê-lo ontem no meu notebook, mais precisamente há alguns quilômetros de onde estou agora, não consegui concluir. Sendo assim, acredito que o texto desse bloco de notas será publicado primeiro.
Enquanto eu olho o mar e digito algumas palavras, sinto que sou observada, seja pelas pessoas nessa praia, seja pelas pessoas que vieram comigo.
O engraçado é que sinto que o ato de amadurecer envolve um certo desprendimento das opiniões alheias, ou seria o autoconhecimento? Não sei dizer, mas ando cada vez menos interessada em interpretar personagens para atender às expectativas criadas em cima de mim. A gente, mesmo sem perceber, acaba fazendo de conta que é de um jeito, só por medo, receio ou só para se poupar das interpretações alheias.
Já passei da fase de fingir felicidade. Acho que todo mundo tem dias não tão legais, fases não tão felizes. Fingir que está tudo bem, quando não está tudo bem, é sofrer duas vezes: uma por sentir e outra por usar uma máscara para esconder que sente. E, de verdade, ninguém lida com a minha ansiedade em meu lugar.
Não vale a pena pagar de feliz quando o seu momento é de angústia, de estados deprimidos, de queda, de tropeço e de fins de ciclos. Não vale a pena tentar convencer a todos de que está tudo bem quando você, em seu íntimo, sabe que não está tudo tão bem assim.
Os outros, todos eles, passam. As pessoas sempre passam na nossa vida. Poucas são as que, de fato, ficam. E, juro, as que ficam ao seu lado e te escutam, independente das suas tempestades e de suas “meias palavras” são as que menos precisam da sua encenação.
Bem, mas voltando as reflexões e olhando para essa infinidade de água, me sinto feliz… Falei de tempestades, de tristeza, de angustia, de ansiedade, justamente para chegar nesse ponto.
Você consegue se lembrar, com facilidade, do último dia em que foi plenamente feliz? Não o dia inteiro, ninguém é feliz em tempo integral, mas aquele dia em que você parou, olhou pra dentro e disse “Meu Deus, eu estou feliz!”
Então deve saber o que estou dizendo!
As vezes a gente precisa parar de atribuir a felicidade a coisas grandes ou a outras pessoas e senti-la em pequenos gestos, pequenos momentos… Assim como esse… Nessa praia, nesse lugar, com essas pessoas me observando.
Sinto que a alegria já está chegando.
Se não chegou plena, está na véspera…