
Outro dia, alguns alunos de Comunicação da Unitau criaram um grupo para um evento de encontro e despedida do prédio que foi casa para muitos anos de aprendizado. Faltou misturar um filminho do Corujão depois da aula, pra ter MAIS sabor de adolescência. Estamos investindo pesado na nostalgia.
Fazer um reboot de qualquer coisa dos anos 90 é investimento certo no sucesso. Vende ingresso, vende boneco, camiseta, dá audiência que é uma maravilha. Vale a pena ver de novo, com outros atores, mais efeitos especiais, mas a mesma história, aquela que adoramos e que queremos reviver.
Já houve outra época em que se foi mais fascinado pelo passado do que somos hoje? Creio que não!
O problema da saudade é ela saber contar boas mentiras. Sentimos falta da programação infantil da TV, mas esquecemos das dificuldades de fazer pesquisas na era pré-internet. Sentimos falta dos games, dos ídolos musicais, do pirulito Dipnlik, mas esquecemos das crises financeiras, das epidemias, das calças de cintura baixa (que eu tenho até hoje no meu guarda-roupa), de ter que atender telefone sem saber quem está ligando, da internet discada.
Por mais que nós, pessoas do presente, gostemos de dizer que vivemos tempos sinistros de desigualdade, brigas políticas, fundamentalismo, fake news, BBB e A Fazenda, precisamos admitir que apesar dos pesares, vivemos numa boa época.
No futuro, sentiremos saudades de hoje.
Sentiremos falta de quando as celebridades do instagram e youtube ainda eram seres humanos; sentiremos saudades de quando as séries terminavam com oito, nove temporadas; ficaremos nostálgicos ao lembrar de saber usar as redes sociais do momento; sentiremos falta de algo provavelmente idiota e insignificante, como cartões com chip, Candy Crush ou relógio que controla velocidade na corrida. Não sei, mas saudades de coisas que podem parecer absurdas.
E sentiremos falta principalmente porque, enquanto vivíamos o presente, não entendíamos nada. Nostalgia é nossa forma de olhar para trás, reviver e tentar entender o que se passou. Para assim, quem sabe, tentar descobrir por que um dia achamos que essa foi a melhor época para se viver.
A gente estava doido?
Já sentiu aquela energia contagiante quando uma musica da sua adolescencia é tocada no carro ou em algum bar? Ou aquela sensação de quentinho no coração quando olha alguma foto do passado que te traz boas recordações?
No processo de passar o pente fino no blog antigo para buscar informações para um livro que comecei a escrever, acabei mergulhando em posts antigos: foi uma experiência interessante encontrar uma outra escrita, moldada por uma outra internet.
E também os comentários: gente que comentava com frequência – elogios, diálogos, muita amizade – e que hoje desapareceu da minha vida. Natural. Por outro lado, a alegria de reencontrar comentários de sete, oito anos atrás, de pessoas que ainda hoje são meus grandes amigos.
Não é possível deter as engrenagens do tempo, ou rebobiná-las tal qual um VHS antes de devolver para a locadora. E é justamente por isso que o blog é tão necessário pra mim: para continuar registrando essas transformações e os passos da minha jornada, essa que não tem muitas opções a não ser seguir adiante.
Saudade é o medo de que nada voltará a ser como um dia foi.
Nostalgia é a certeza disso!