Palavras ao vento da mulher maravilha

Ao lado da minha mesa de trabalho onde, neste momento, está o meu computador, existe uma janela. E digito cada palavra enquanto vejo o meu reflexo no vidro. Como a luz está baixa, com apenas uma luminária trazendo vida ao quarto, consigo, volta e meia, ver os meus olhos brilhando. A penumbra me deixa confortável. É como se nela, pelo fato de eu não precisar ser vista por completo, eu me sentisse em paz para ser eu mesma.

Isso me fez pensar que talvez uma das maiores sensações de paz que alguém pode ter é a de se dizer coisas e escrever outras sem se sentir avaliada ou julgada.

Escrever já me salvou diversas vezes. Não só quando os meus relacionamentos não deram certo, mas quando eu tropecei em amizades, em problemas da vida de um modo geral, quando eu caí e cheguei ao fundo do poço emocional. À medida que eu escrevia e ia processando o que estava acontecendo dentro de mim, sentia como se uma história fosse se formando com o passar das palavras somadas. Aos poucos, cada frase, cada texto, cada cena, se moldava me ajudando a dar passos cada vez mais altos e mais próximos da estabilidade.

A terapia também me ajuda, já que tenho muita dificuldade de falar de sentimentos íntimos, problemas internos, neuras com qualquer pessoa que seja. Me sinto mais confortável em levar a terapeuta.

Claro que não sou uma “ostra” e confesso que algumas amigas me decifram só de olhar para a minha fisionomia, talvez sejam as mais sensitivas, como a Regina Maura por exemplo. Outras como a Flavia Saad e Luciana Moreira conseguiram o feito de me tornarem réu confessa (hahahaha) e falar sobre coisas e sentimentos que não falaria com qualquer pessoa, mas ambas são terapeutas (e das boas), então será que conta? E tem aquelas como a Claudia Sousa que me conhece desde a adolescência e a Claudia Cunha saindo dela e que, por me conhecerem há muitos anos e ainda estarem na minha vida, sabem da minha história, dos meus defeitos e qualidades e me aceitam como sou. E com elas, dispenso confidencias e só espero cumplicidade.

Bem, nem sei porque parei aqui pra escrever um assunto tão aleatório, já que hoje não tenho nenhuma angústia, nenhuma história pra relatar, mas como não sou obrigada a nada resolvi passar aqui… A propósito, nesse horário se não estivesse aqui estaria no Pilates com uma amiga na qual já marquei várias vezes e ainda não fui (Livia, não desiste de mim amiga! rs).  

Claro que fiz um esforço de começar a semana variando um pouco, mas não sei o que aconteceu com meu relógio biológico que perdi a hora e não treinei com a Alice Reis, minha dupla de várias histórias e, que bom, de treino também. Sendo assim, mesmo que o planejamento não fosse bem esse, o dia, forçadamente, começou diferente. Treinei um pouquinho mais tarde, trabalhei com afinco, tirei apenas 15 minutos de almoço, já que quando estou concentrada não tenho vontade de parar para me alimentar, adiantei todo o serviço para o Pilates, desliguei o note, mas no horário de sair meu telefone tocou… E depois de alguns bla bla bla, subi o elevador, voltei, liguei o note para checar uma informação que não poderia ficar para o outro dia e então, com isso, perdi o horário da aula.

É… Nem sempre a gente consegue fazer tudo… E tudo bem! É que na verdade, tem algumas fases que me sinto um pouco mulher maravilha, talvez seja por isso que eu tenha a ideia meio surreal e errônea de que dou conta de tudo. É que, às vezes, consigo. Eu me viro do avesso, mas consigo. Consigo atingir os objetivos, suprir as expectativas que depositam em mim, cumprir os prazos dos meus trabalhos, mas… (e sempre tem um, mas) e as minhas próprias expectativas?

Fica aí uma reflexão.

Não vou decorrer mais, já que a noite cai e eu não tenho a visão da mulher maravilha, na verdade, sou míope. rs

Sim! Eu tenho minhas limitações (físicas e emocionais também). E essas limitações não me transformam em alguém melhor ou pior do que a mulher maravilha, elas só reforçam que sou de carne e osso. Eu não sou invencível (por mais que eu vença muitas coisas) e, também, (infelizmente ou felizmente) não sou a personagem fictícia de uma história de quadrinhos…

Vou agora para a terceira etapa do dia. Banho, roupas confortaveis, chinelo, preparação de um jantar – fitness obvio (rs) – leitura de algumas páginas do livro que ganhei da minha irmã e sem taça de vinho pra quem já acha que tenho a garrafa aberta na geladeira tá? Afinal hoje é segunda e não costumo abusar. Não tenho um bracelete como a mulher maravilha que a protege de suas fraquezas, mas sei me controlar.

Quem sabe amanhã?

Éh! Quem sabe!?

Deixe um comentário