
Recorro a esse diário online por diversas razões e talvez eu nem consiga listar todas elas, mas aqui tem desde relatos de coisas que me perturbam, até listinhas de projetos que preciso realizar antes de partir (se é que me entendem😊). Enfim, muitos motivos me trazem até esse blog. Muitas vezes esquecido por meses, mas nunca abandonado por completo.
Nesse texto, vou começar por algo perturbador para mim: Paralisia do sono. Será que mais alguém sofre disso?
A medicina explica como um distúrbio que atinge cerca de 8% da população caracterizado por uma total imobilidade do corpo, exceto dos olhos, e que pode ser acompanhado por episódios de alucinação.
Há estudos que apontam que entre 15% a 40% da população podem vivenciar alguma situação de paralisia do sono ao longo da vida, mas para quem sofre disso os episódios são frequentes e diga-se de passagem, assustadores (pelo menos pra mim!)
Comecei a passar por isso ainda na infância. Eu sentia alguém me observando na janela do quarto e depois se sentando ao meu lado, em minha cama. Não conseguia me mexer, ficava totalmente imóvel e sempre pensava que eu fosse morrer. Tentava gritar, chamar minha mãe, minha irmã, mas meu corpo não respondia aos meus comandos.
No intuito de me ajudar, minha mãe recorreu a parte espiritual, já que naquela época, sem google, sem estudos profundos do fenômeno poucos médicos conseguiam colocar um nome para tais episódios.
Me sentia só! Eu e meus pesadelos.
Até que em 2018 meus pesadelos tiveram um diagnóstico e um nome próprio e, embora não haja um tratamento específico, é bom saber que outras pessoas passam por algo similar. Confesso que já recorri a simpatias, água benta e acreditem ou não objeto de prata embaixo da cama (eu sei, é cômico, mas conheço pessoas que juram de pés juntos que funciona), então, por que não tentar? rs
Atualmente a minha paralisia acontece sempre da mesma forma. Estou na minha cama consciente de que estou “dormindo”. De repente, passos (o barulho é de sapato social masculino, já que conheço o barulho de salto feminino de longe) e esses passos começam na sala, atravessam o corredor até a porta do meu quarto. O ranger da porta se abrindo, um vulto estranho deitando-se no lado vazio da minha cama. Por vezes, esse vulto me abraça quase me sufocando, por outras sinto a respiração muito próxima do meu rosto. Tenho a percepção de falta de ar. Não sei se dura um minuto ou algumas horas, mas como em um passe de magica “plim”, abro meus olhos e tenho a sensação de que aquele ser foi embora e de que já posso voltar a dormir.
Prazer. Esse é o meu mundo. Coisas esquisitas acontecem nele. Hahahahaha.
Relatar esse fato é só a minha forma de dizer de que não acredito em vida perfeita, nem nos meus sonhos a vida é. Faço terapia semanalmente para resolver minhas imperfeições, busco ser uma boa amiga, boa filha, boa profissional, boa companhia, boa parceira, mas nem sempre eu sou (e tudo bem não ser!). Sou da corrida, mas também sou da quebrada. Tenho uma vida equilibrada tanto na dieta quanto nas palavras, mas não sou tão boa ao ponto de passar 365 dias sem reclamar ou me exaltar.
É óbvio que vocês só conhecem a melhor parte. Thanks God que a maioria que está lendo esse texto não convive diariamente comigo. Ainda bem que eu me mantenho offline durante a TPM. Sou calma até demais, mas quando eu tenho algum rompante temperamental (Sem orrrr! Sai de baixo).
O fato é que não sou perfeita, não quero ser. Não quero ninguém jurando que me ama mais que tudo, porque não será verdade! Não quero um anel de compromisso. Talvez amor leve e livre faça mais o meu perfil agora. Não quero dizer sim sem pensar em todas as alternativas. Não quero pressa. Não quero pressão. Não quero prisão.
A liberdade me encanta! Amor leve me encanta. Não é uma questão de ser eterno enquanto dure. Isso me traz lembrança de intensidade demais. Demais para um relacionamento. Tudo o que é demais aprisiona. Então, o meu desejo de hoje é que tudo dure enquanto for leve e enquanto for livre, inclusive meus sonhos, inclusive meu sono.