Não importa!

Não importa o quanto você se esforce.

Não importa se o trabalho está em dia, se a reforma do seu apartamento deu certo, se os quadros estão retinhos na parede, se você diz sempre palavras pontuais, se dorme oito horas por noite, se toma dois litros de agua por dia. Não importa!

Não importa se tem alimentação saudável, se recicla o lixo, se cumpre sua planilha de corrida exatamente como ela é. Não importa!

Não importa se faz musculação, crossfit e se está com a massa muscular em ordem, com as mensagens no WhatsApp e do instagram respondidas, se paga seus impostos, se não cobiça o homem alheio. Não importa!

Tanto faz se perde o sono porque a Amazônia está ameaçada ou se algum andarilho conhecido ou não bate na porta da empresa que você trabalha pedindo comida porque tem fome. Não importa!

Alguém sempre dirá que você deve alguma coisa. Que você está errando em algo. A sociedade, o vizinho, a amiga, a irmã, o cliente, até o telemarketing da Legião da Boa Vontade (alguém aí lembra da LBV?) Então, mas não importa!

Eu acordo 5h e, se depender dos outros, já começo o dia devendo. Porque dormi até tarde, porque roubei no burpee, porque cheguei atrasada ou talvez porque não arrumei a cama. (Peraí, essa cobrança é minha mesmo. rs).

Mas…

Já sou tão diferente do que já fui no passado.

Duas versões de mim mesma!

Sim! É possível! Sei que deveria me sentir culpada por levar a vida mais leve.

Por quê?

Sei lá. Porque culpa é uma bandeira de muitas mulheres. Hoje eu até me solidarizo, mas não sinto a menor culpa por ter escolhido outra vida. Talvez eu devesse ser uma amiga mais presente, uma gestora mais exigente, uma pessoa mais sociável também… Mas, aprendi com o tempo a dizer não. Digo não muitas vezes “não quero, não vou, não gostei, não me importo, não estou afim”. E também faço afirmações do tipo “estou triste por isso, mas preciso te respeitar mesmo que seja desconfortável pra mim” ou “você foi uma agradável surpresa, quero te conhecer melhor” ou somente “você está errada amiga, vamos conversar sobre isso?”

Sem jogos, sem fingimento. Eu sendo eu mesma! Sem aquele peso do julgamento alheio.

Talvez eu devesse me estressar um pouquinho com a minha própria calma!? Não sei como cheguei até aqui. Terapia? Consciência emocional + corporal? Esporte? Lições de vida? Ou tudo isso e mais uma boa dose de loucura? Sim… Ser calma também é muito louco!

Desculpem! Não tenho a receita. Creio que o processo é individual e particular.

No trabalho, corro contra o relógio, faço minhas atividades com afinco, entrego resultados, falo baixo, respeito a opinião divergente, sou aberta a propostas contrarias, tenho falhas, tenho acertos e ao final do dia faço um repasse mental (uma espécie de autoanálise) com os pontos que eu poderia fazer melhor. (E faço isso em duas situações: no carro, dirigindo rumo a minha casa ou na corrida do dia seguinte).

Assim como a corrida, analisar-se é exercício, é aprender a narrar a si mesma. Parece fácil, mas não é. Muitas pessoas não conseguem sequer falar de si, não conseguem dizer o que sentem, quiçá fazer autoanálise.

Mas confesso que pra mim também é difícil. Escrever sobre alguns pontos ajuda muito no exercício de expor-se. Quem escreve está sempre se delatando, seja de forma direta ou camuflada.  

Redes sociais também te entregam também, apesar de que lá só consigo mostrar momentos sociais, de empatia, da “selfie” que ficou boa, do bumerangue no espelho que nada mais é que “está tudo certo por aqui, viva no corre e na luta”.

E isso não quer dizer que a minha vida no instagram e facebook seja uma farsa! São apenas versões editadas de uma realidade com tons bem mais coloridos e felizes. Eu não posto foto passando pano de chão na cozinha (pós-obra), muito menos na fila enorme da caixa econômica federal auxiliando meu pai em meio a tantos funcionários bem humorados (só que não), nem pegando sacos de 20kg de “nivela rápido quartzolit” com a minha irmã num salto 10 para acelerar a reforma do apartamento dela. Rs. Assim como você eu também edito minha vida nas redes, tá? Confere meu feed, só tem corridas, viagens, amigos e corrida de novo… hahahaha.

Sou a patricinha do Seu Jorge… Certeza!

Mas, julguem! Não importa! Entre a culpa e a paz eterna, palpitem aí o que escolhi…

1 comentário Adicione o seu

  1. Avatar de Grace Araújo Araujo Grace Araújo Araujo disse:

    Nada importa! Julgamentos, sempre teremos. O que importa é a paz interior. O que importa é que, você é maravilhosa!!

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