
Hoje no Crossfit conversando com uma amiga sobre machismo na sociedade moderna recordei de um fato ocorrido há pouquíssimo tempo e que me rendeu inspiração para esse texto.
Estava eu revisando a politica de cargos e salários da empresa e senti necessidade de alterar a faixa salarial de duas mulheres que assumiram uma função com nível de complexidade compatível com outra função liderada por dois homens. Até aí, justo! Mas o que ainda me deixa inquieta é de que a minha proposta era de uma equiparação salarial (não aprovada pelos diretores) dessas duas funções que, diga-se de passagem, só possuem nomenclaturas diferentes.
Que mulheres ganham salários menores que os dos homens, não é novidade pra ninguém, mas eu sigo lutando para reverter essa injustiça, pelo menos, onde eu posso fazer a diferença.
E, essas palavras não são para apontar falhas na empresa na qual eu trabalho e sim para apontar falhas no sistema, no nosso conformismo. Situações assim acontecem aqui, ali e acolá.
Por outro lado, vamos fazer uma reflexão sincera agora… Será que é uma boa idéia batalhar por igualdade meninas? Hehehe
Na busca por argumentos a serem apresentadas aos diretores me deparei com uma pesquisa que confirma que quanto mais as mulheres estudam, mais elas progridem e são bem sucedidas. Até aí tudo bem! Aleluia!!! Porém, na maioria das vezes não ganham o mesmo salário de homens com a mesma ocupação. E o melhor está por vir “e essas mulheres tem menores chances de se casar”. Hahahahaha.
É serio isso produção? E a pesquisa foi feita pela Universidade de Harvard tá?
Solteiras de plantão e que ainda queiram se casar… “Talvez seja melhor manter as coisas como estão”…
Os homens ainda não estão preparados para abrir mão da superioridade que o papel de provedor lhes confere. E mesmo os mais antenados, que apoiam que suas mulheres sejam independentes, ficam inseguros se elas tiverem cargos de chefia e muita visibilidade. Ganhar dinheiro, tudo bem, mas aparecer mais do que eles já é desaforo.
Imagina fazer mais que uma faculdade e mais que uma pós-graduação? Exagero! Antes um bom curso de culinária meninas!
Vou eliminar meu segundo diploma e esconder que tenho duas pós e um MBA para não assustar né? Pensar em mestrado? Oxi! Pra quê? Hahahaha.
Brincadeiras a parte, mas gentemmmm! Será que o casamento não é mesmo para mulheres assim?
Que encrenca que as feministas nos arranjaram. Estimularam o pensamento livre, a autoestima, a produtividade e a alegria de trilhar um caminho condizente com nosso potencial.
Nunca imaginei que em 2022 estaria escrevendo sobre isso. Achei que os homens já tivessem percebido o quanto ganham em ter uma mulher inteira a seu lado, e não um bibelô. Acreditei que a competitividade tivesse dado lugar a um companheirismo saudável e excitante, onde todos pudessem se orgulhar dos seus avanços… Mas que iludida que eu sou!
Que existem homens modernos no planeta, eu sei que sim! Escondidos, mas existem… rs. Já a maioria se classifica como atuais e modernos e que tudo bem ter uma mulher inteligente e independente ao lado, aliás da boca pra fora ninguém é machista, ninguém tem preconceito, ninguém é racista, ninguém é homo fóbico. Falar é muito fácil. Eu sou o que eu quiser nas minhas palavras e também nas minhas redes sociais. Quero ver nas minhas atitudes… Aí o bicho pega!
Minha versão na década de 50, talvez estivesse escrevendo palavras como: “Essas mulheres aí que não cozinham, não passam, não lavam, que só evoluem, cuidam do corpo, saem para bares e querem trabalhar, essas não são exemplo pra ninguém, são umas coitadas de umas infelizes que pagam as contas e ainda se acham divertidas, se fazem de inteligentes, querem bater perna no estrangeiro ou ficar viajando para o nordeste com as amigas, pois vão arder no fogo do inferno, vão amargar na solidão, vão morrer abraçadas nos seus travesseiros. Aqui se faz, aqui se paga, pode apostar”.
Já a minha versão da década de 2020 só consegue dizer: “Kátia Leal, tamo ferrada”.