Fatos do Cotidiano

Uma amiga me envia uma mensagem de whats dizendo-se arruinada, pois andou fazendo umas besteiras e agora está curtindo uma deprê gigantesca, daquelas de não ter vontade de sair da cama, de se arrumar, se depilar. “Vou virar lésbica pra homem nenhum me encher o saco e assim não me meto mais em enrascada”.  Respondo com emojis divertidos, figurinhas engraçadas, e entre uma gracinha e outra, dou a ela uns conselhos, uns toques de quem até parece que já passou por tudo e viu tudo. Ela melhorzinha, responde declarando-se chocada: “Você está nojenta de tão madura”. Rs.

Outra amiga me escreve dizendo estar danada da vida com um rolinho, peguete, p.a (não sei qual a gíria utilizar, mas acho que vocês entenderam né? Hehehehe) que depois que ela demonstrou um interesse maior ele começou a sumir do mapa. “Qual é a desse cara? Uma hora quer, outra hora não quer. Vou ficar louca!!!” Sugiro a ela que escolha um motivo mais sensato para ficar louca, peguete indeciso não compensa o chilique. E rimos. E lembramos da adolescência. E trocamos frases espertas. E ela: “De onde você tirou essa serenidade toda? Não vai me dizer que amadureceu? Putz, é contagioso? Por via das dúvidas, melhor não se aproximar, vai que pegue?”

E uma terceira amiga de faculdade me chamou para um bar na sexta-feira e depois de mil remarcações desse reencontro não dava mais pra adiar… Apesar de ser véspera de treino e da minha vida não ser mais tão boemia como antigamente eu sai de São José e fui até Taubaté as 19h30, conforme marcado. Entre risos, conversas e confidencias eu solto um “Pri, 23h vamos embora?” E ela responde: “Ah! Não, você tá ficando uma chata!” E, fiquei pensando, será que estou? Hahahahaha. “Pri, meia noite, vamos embora?” E mais uma resposta: “Tra lá lá não estou nem te escutando… Dorme em casa Kátia Leal, amanhã você acorda cedo e vai correr”. E assim, foram “Pri, 1h… E pede a saideira que nunca esvazia e “Pri, 2h da madruga”… E uma despedida com “Onde foi que eu perdi pra você ficar tão focada?”

No final deu certo e já programei a baladinha que despertará a Kátia Leal da faculdade. Aquela estressada, ao mesmo tempo animada, que acordava as 7h trabalhava até as 18h, frequentava a sala de aula as 19h e terminava num bar, num churrasco ou numa balada (se tivesse oportunidade) a partir das 23h.

Isso hoje até pode acontecer, mas de forma planejada e preparada psicologicamente. Alias, não tenho mais 20 anos né gente?

A sensação que eu tenho é de que uma hora para outra, fiquei assim, lúcida e diabolicamente tranquila. Não que os problemas tenham sumido, mas deixaram de ser coisa de outro mundo. Se antes eu perdia o sono hoje durmo como se estivesse no sarcófago da múmia de Tutancâmon.

Num passado não tão distante, quando eu pisava na bola com alguém – amiga, irmã, namorado, mãe, chefe -, mergulhava em culpa, considerava a relação perdida, até que me ocorreu uma frase milagrosa para solucionar impasses: “Me desculpe”. Funciona que é uma maravilha. Mas ela tem que ser sincera. Esse é o segredinho do sucesso.

A ansiedade foi o sintoma mais persistente ao longo da minha vida. Antes da pandemia sofria crises de ansiedade, aliados a noites em claro e 90% ocasionado por coisas do trabalho e que geralmente não dependia exclusivamente das minhas atitudes. Imagina se eu sofresse agora com essas crises, já que o setor que eu trabalho está turbulento e passando por dificuldade?

O pior é que não ando mesmo ansiosa por nada, inclusive não tenho ansiedade nem por viajar, eu que antes não pensava em outra coisa, não fechava um ano sem pegar as malas e sumir por uns dias. Mas mesmo sem ansiedade, tenho mais viagens agendadas esse ano que dinheiro disponível. Hahahahaha. Relego a ansiedade para minhas amigas que embarcarão comigo.  

Desde a hora em que acordo até a hora de ir dormir, a lista de providências a tomar é quilométrica, e dou conta de tudo, e se não dou, paciência. Não deu para terminar o fechamento hoje? Faço amanhã. Estou com o trabalho atrasado? Sempre dei conta, não vai ser agora que vou estressar. O cabelo está sem corte? Qualquer hora marco um horário, o cabeleireiro não vai fugir (na verdade, me preocupo com sua mudança de área profissional e não de localização… Ele se supera tanto como cabelereiro quanto como arquiteto). Emagreci? Emagreci (graças ao acompanhamento da amiga nutri, da minha disciplina em 80% do tempo), mas há quem diga que preciso engordar um pouco. E a preocupação com isso?

Na alma, que é o que importa, estou gordinha de coisas boas. Hehehehehe.

Fazer o que com tanta maturidade? Chamar um médico, urgente. Garanto que isso não deve ser normal.

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