
Se eu disser para você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que hoje seria um dia de sol, que o céu das 5h30 nos convida para a farra de viver, mesmo sabendo que hoje é dia internacional da mulher, mesmo sabendo que é dia de fechamento final do mês na empresa e que há muitas providencias a tomar. Acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem prestar atenção ao que estou sentindo, como escovar os dentes, colocar a roupa do treino, passar protetor solar, tomar dois copos de agua, pegar a camiseta do grupo de corrida, sair para o estacionamento e simplesmente dirigir?
Se eu disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar, sem vontade de nada, mas que antes das 8h já tinha feito um treino especial à mulher no Arena Crossfit e logo após 7k de corrida com o grupo Pé na Rua?
Você vai dizer parabéns e um “te anima menina”. Talvez me recomende um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo que você desconheça a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma musica revigorante, tomar uma taça de vinho à noite e voltar a ser a Kátia feliz que na maioria das vezes sou.
Você vai fazer isso porque primeiro gosta de mim, mas também porque é mais uma pessoa que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu vontade de chorar a toa? Gravíssimo, telefone já para sua terapeuta.
A verdade e sendo muito sincera é que eu não acordei triste hoje por motivos particulares. Podem me achar esquisita, mas não consigo dormir em paz pensando na guerra da Ucrânia e Russia, pensando no pai da minha amiga que está na UTI e pensando nos animais abandonados seja devido a guerra, seja na cidade onde moro. E sei que você vai dizer: “Ah Kátia, mas guerra existe há séculos” (Siria, Somalia, Iêmen, Iraque, Afeganistão etc… são alguns exemplos disso), que o pai da minha amiga esta sendo bem amparado já que “UTI nada mais é que Unidade de Tratamento Intensivo” e que desde os primórdios animais sofrem com a maldade humana ou que são relegados a um segundo plano. Aposto que alguns aqui acharão exagero essa minha tristeza por fatores que eu não posso mudar, que não são comigo e que não mudam em nada a minha vida. (Mas mudam, entende?)
Só para vocês terem uma noção do grau de loucura ou de sensibilidade (vai saber!?), cheguei ao ponto de ficar brava com a minha mãe na semana passada por ela ter jogado desinfetante em formigas que transitavam pela cozinha. Você leu certinho. Formigas! E não ri, tá? Não é engraçado!
Tá! Eu sei que pessoas assim nunca se sentirão plenamente felizes e eu tento (juro que eu tento) ser um pouco indiferente a tudo isso, mas mesmo assim, fico triste. E ficar triste é comum, é um sentimento tão legitimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silencio e a solidão. Estar triste nem sempre é estar deprimido.
Já tive depressão e eu sei que é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo. Nesse contexto lembrei da Thai, uma amiga do grupo de corrida que, coincidentemente me disse hoje que estava triste e desapontada, sem saber que meu estado de espirito era parecido com o dela, mesmo que nossas razões fossem diferentes.
Cazuza já dizia em uma de suas músicas que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. Claro que é melhor ser alegre do que ser triste (agora é Vinicius de Morais), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for.
Comecei o dia desmarcando um comprmisso no Bar do Coronel ao som de Luana Camarah, já que não estava pra samba, pra rock, pra hip-hop, mas em meio a todo esse caos senti uma profunda alegria e gratidão em saber que minha amiga (aquela amiga) chegou hoje no Brasil e não vejo a hora de encontra-la.
Nada como ficar quietinha, escrever esse texto, pois quietude é armazenamento de força e a escrita é a terapia da qual hoje eu precisava.
Já estou aqui ao final desse texto pensando no dia, no vinho ou em qual cerveja abrir com a amiga (já que o calor pede algo gelado e refrescante) para relembrar os velhos tempos ou os velhos porres… Ai gente! São tantas histórias… hehehehe. Mas isso é assunto para outro texto. Nesse momento, só penso em amizade, vinho, cerveja que não entendo muito mas que “quem tem amigos não morre pagão” e até posso pedir um help para a Rozi (https://www.instagram.com/milhas.cervejeiras/?hl=pt-br). Porque não né? Eu ensino o que eu sei sobre vinho e ela me ensina sobre cerveja.
E conforme as palavras são escritas é como se eu subisse alguns degraus acima da tristeza e ficasse alguns degraus abaixo da euforia. (Não sei bem se vocês entendem essas palavras, mas é exatamente como me sinto). Nunca termino um texto com o mesmo sentimento de quando eu começo…
E… Mesmo parecendo uma louca e contraditória em alguns momentos eu sigo a vida certa de que ainda me resta algum controle emocional. E socialmente, não se preocupem, podem me chamar pra tudo, pois engano muito bem.
Ahhh amiga te amo pra sempre!❤
Todo dia eu gosto de ler conteúdo novo e hoje em dia o
escolhido foi o seu. Adorei seu texto.