Uma mulher nunca é uma só. A infinita complexidade feminina!!!

Ontem, ao entrar no banheiro de um bar que há algum tempo não frequentava, me deparo com a frase: “Lugar de mulher é onde ela quiser” e dentre tantas coisas que, às vezes, eu observo no ambiente e nas pessoas, isso me rendeu uma inspiração… A inspiração de agora!
Realmente o nosso lugar é onde e com quem quisermos estar. Se não vivêssemos numa sociedade tão patriarcal nem me depararia com essa frase tão obvia.
Não que eu seja feminista convicta, mas que talvez eu seja também, porque não!? Aliás, não se apresse em me decifrar. Eu não sou uma coisa só. Não sou um livro que pode ser julgado pela capa. E, talvez, mesmo depois de lido por inteiro, ainda restem nuances despercebidas.
Eu, assim como todas as mulheres que conheço, carrego o lado bom e o ruim de ser várias em uma só. De ser todas, e tantas. Às vezes, de ser muitas ao mesmo tempo.
Eu me acho chata e legal. Não subestime minha complexidade, tentando encaixar-me em padrões. Eu não caibo numa caixinha. Talvez, não caiba em lugar algum.
Eu não me reconheço em arquétipos, estereótipos, rótulos e condutas. Desde que vim ao mundo, tenho sido assim, meio discrepante, entende? Posso ser volátil e constante, dependendo do ponto de vista. Posso querer e não querer ao mesmo tempo!
Eu sou sexta-feira à noite e manhã de domingo. Cerveja gelada e café quentinho com uma preferencia inquestionável para o vinho. Preto-no-branco e estampas multicoloridas. Rock ‘n roll e bossa nova com vários momentos tendenciosos ao forró e ao piseiro (família nordestina que fala, né?).
Eu sou doce. E firme. E forte. E suave. E enérgica. E indiferente. E apaixonada. E intensa. E ausente. Eu sou aquela que já desistiu só porque teve preguiça de algumas pessoas e também sou aquela que me surpreendo com as chances que eu dou para outras pessoas na vida. A que cala, e a que grita. A deusa, a louca, a feiticeira.
Eu sou sábia. E ingênua. E minto para mim e para você, pois há momentos em que só quero reconfortar-me em ilusões convenientes. E no momento seguinte caio na real novamente. E me levanto outra vez.
Pois sou como a verdade – tantas vezes nua, frequentemente crua, costumeiramente inconveniente. E inexorável.
Eu provavelmente não sou o que você imagina, menos ainda o que você espera. E certamente não sou o que você gostaria. Mas seguramente sou mais. E vou além. E posso surpreendentemente ser uma nova versão antes mesmo que você termine de me idealizar. Ou de se decepcionar.
Mas não me tomes por alguém insolente, embora eu possa ser, sim – entre tantas coisas – ligeiramente indomável. Esse é aquele lado leonino que as vezes eu mesma preciso domar para conseguir me relacionar.
Vários já tentaram me descrever. E falharam miseravelmente. Não por incapacidade ou por desatenção. Talvez, por impaciência. Ou por desdém. De um jeito ou de outro, não conseguiriam. Eu mesma tenho dificuldade também. Então Ok!
Porque, de todas as mulheres que eu sou, tem uma que é metódica e perfeccionista, e gostaria de poder detalhar-se em termos de fórmula, posologia, indicações, contraindicações e efeitos colaterais. Sim!!! Tenho efeitos colaterais. Me sinto um pouco “tarja preta” hahahaha. Mas, ao mesmo tempo, sou outra, aquela que não se prende a certezas, a tarja vermelha, a genérica, mas que não quer se limitar a umas poucas descrições taxativas.
E, de tanto ser tantas, aprendi a conviver com minha multiplicidade. E compreendi que a verdadeira dádiva desta complexidade toda é poder ser e estar onde eu quiser.