O grande final

Todo escritor, jornalista, cronista, tem alguma dificuldade no processo criativo. Para alguns, é o começo. Para outros, é o final.

Acredito que toda pessoa que escreve tenha algum tipo de dificuldade no processo.

A minha nunca é começar. Eu sempre tenho um sem-número de ideias e de textos começados.

Mas a minha grande dificuldade é, sempre, o final. Eu digo tudo o que gostaria de dizer, e me pego encarando a tela (ou o papel) e me perguntando: “tá, mas e daí?”.

É como se eu saísse de casa para uma caminhada, mas, num dado momento, parasse e não soubesse mais para onde ir.

Então, eu penso: será que todo texto precisa, mesmo, ter um final arrebatador, surpreendente, conclusivo, que dá sentido a tudo o que veio antes? Ou eu posso me limitar a dizer algumas coisas que eu queria e deixar meu desabafo sem concluir o raciocínio? Seria esta uma estratégia despojada, ou apenas perigosa?

Lembrando que, em muitos filmes e séries, o que nos desaponta é justamente o final. Quando a história não termina exatamente como a gente gostaria dá até uma sensação de arrependimento, de tempo perdido, não é?

Penso que talvez um texto poderia ser como uma música, em que a parte mais importante – o refrão – está no meio. E é ele que marca e gruda na cabeça das pessoas. E não o final.

Bem, as artes são distintas entre si, e cada uma delas tem a sua peculiaridade. Eu ainda não desenvolvi as habilidades necessárias para dar aquele grand finale aos meus textos.

Mas, pode ser que um texto seja apenas como a vida mesmo em que a gente não pode prever, quiçá planejar o que vem depois.

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