Quem foi que começou com essa história de que ser um pouco romântica ou romântico é algo ruim?

Hoje conversando com uma amiga no Cross, falamos sobre seu envolvimento com um homem aparentemente romântico e que, por bloqueios do passado, ela desacredita.
Ontem, com todo meu apoio, ela retribuiu o gesto com um bombom, um papel e uma caneta entregue a ele, num ambiente neutro, com o pedido de “desenhe-me.”
Digam-me qual o problema de pessoas que, por exemplo, mal conhecem alguém e já se apaixonam? Ou que se entregam muito rapidamente a um sentimento?
Refletindo sobre isso enquanto fazia minha sessão de terapia (do latim: ter a pia cheia de louça) porque hoje não tive a sessão oficial com a psicóloga, concluí que eu já fui muito mais do que atualmente, mas, ainda me considero uma pessoa romântica.
Sim, eu sou uma pessoa romântica! Não apenas na questão de me apaixonar por alguém, mas em todos os outros significados que a semântica permite. Eu me emociono ouvindo uma música, vendo um filme, lendo um livro, olhando fotos antigas de algo (ou de alguém) que deixou saudade.
Eu me abalo com uma notícia que leio no jornal, a ponto de sentir os batimentos cardíacos acelerarem e as veias do pescoço saltarem. Eu me inflamo numa discussão aleatória sobre qualquer tema que me pareça importante.
Eu faço textão de declaração de amor para as pessoas. E também de indignação por qualquer causa que me mova. Faço mesmo, seguirei fazendo. Este blog é movido por emoção.
Eu me destempero diante de uma injustiça, de uma violência, de uma incivilidade. Eu fico absolutamente perturbada com frases que saem distorcidas, com diálogos truncados, com conversas que terminam em mal entendidos, com ausências que me castigam.
Eu fico absurdamente frustrada com gente que não se expressa, que parece não sentir, que vive numa fleuma inabalável.
Eu ajo – e reajo – a quase tudo que vejo e ouço; em consequência, eu sinto. Sinto tantas coisas ao mesmo tempo: dores, alegrias, raiva, indignação, amor, compaixão, empatia, rancor, frustração, descrença, solidão, esperança.
Eu sinto, sempre senti, e o sentir faz parte de mim. É da minha essência. Eu sou, sim, uma pessoa romântica, à flor da pele, passional. Esses sentimentos me movem.
Então, sinceramente, não vejo nada de errado em ser uma pessoa romântica. Digo, por minha própria vivência e experiência, que prefiro ser assim, escancarada e sentimental – brega, até.
Acho pavoroso viver numa sociedade que prega a frieza e a indiferença como sinônimos de “força”. Que faz ode ao desapego que não valoriza as delícias de sentir-se humana, vulnerável e entregue às emoções. Que não se dá ao direito de mergulhar nos seus mais profundos e sinceros sentimentos, a despeito de tudo o que podem falar e pensar os “filósofos” de redes sociais.
Eu, assim como Graciliano Ramos, “Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões.”
É isso, querida amiga! Permita-se receber o romantismo de alguém e ser romântica também!
Ps: Sem te marcar, obvio, mas esse texto é para você!