A pandemia nos fez repensar alguns rumos que tomamos e que ainda podemos tomar em nossas vidas. Por opção ou por força dos acontecimentos, temos repensado em curto, médio e longo prazo.
Nesse contexto, mudou o mundo e mudei eu! Muito! E tão repentinamente…
Dia 30 completo mais um ano de existência e apesar de não ter apenas 30 anos só consigo pensar no filme “De repente 30”, em que a adolescente, em seu aniversário, ansiosa por chegar logo à idade adulta, formula um desejo e se vê repentinamente com trinta anos, sem saber o que aconteceu nesse intervalo.
Meu sentimento é semelhante ao dela: perplexidade.
Pergunto a mim mesma: onde foram parar todos esses anos?
Ainda sou aquela menina assustada que entrou pela primeira vez na escola, aquela aluna exemplar que estudava para 10 e que chorava desesperada com o 7; aquela menina que frequentava balé, que era baliza da banda da escola; ainda sou aquela professorinha de catequese que enfrentou sua primeira turma, aquela virgem sonhadora que estava esperando o príncipe certo.
Ainda sou aquela adolescente que ia ao boteco com grandes amigos para purgar as emoções, ia respirar na montanha para elaborar ideias, ia pra balada pra dançar até os pés não aguentarem e até o sol raiar, ia para São Luiz pular carnaval ao grito de “Oh, Oh Barbosa, essa curva perigosa”, já agora, com a realidade pandêmica, essas referências soam até estranhas, assim com eu!
Confinada e me deparando com as mesmas paredes, os mesmos porta-retratos e o mesmo cenário me pergunto: – Quem roubou meus anos?
Não sinto o peso da idade, mas sinto que mudei!
Mudaram as circunstâncias, as ferramentas, mas, sobretudo, mudaram as prioridades. O silêncio é mais importante. O humor é mais importante. A saúde é mais importante. A aceitação é mais importante. Os momentos com amigos são mais importantes. A família é mais importante!
Faz tempo que parei de inventar razões para viver da forma que mais me agrada. Eu estava sempre inventando justificativas para mil e uma coisas que queria ou que não queria, mas viver não tem justificativas, ponto. Também não há meios termos. Há acordos.
Nos trinta eu fiz acordos com a vida e comigo mesma… Vocês sabem, acordos são tratos, são compromissos e internamente eu tenho os meus.
Eu me comprometi a viver apaziguada – com o tempo, com as perdas, com as mudanças, com as diferenças, com os limites, comigo mesma – e a curtir cada pedacinho do muito que tenho.
Outro trato, que é também um desafio: fracionar o tempo, para poder curtir o mosaico desse todo, que é o meu viver. Tudo à sua hora. Como uma pizza enorme, muitas fatias, todas deliciosas: conversar e, principalmente, ouvir as pessoas, aprendendo, todo dia, mais um pouquinho, abraçar, beijar, me entregar, alimentando meus nichos de afeto… E continuar a regar minha alma com música, leitura, esportes, cursos e viagens.
Tenho muitos amigos, mas sei que os verdadeiros são poucos…
Sou discreta sobre a minha vida, sobre meus relacionamentos, sobre minhas neuras, sobre minhas nóias, portanto sempre falei pouco e escutei mais. Acho tão fácil resolver a vida dos outros. De amigos a conhecidos, sou considerada ótima ouvinte e aquela dos conselhos bons e algumas vezes desagradáveis, mas necessários. Quer se iludir? Procure uma cartomante. Quer saber a real? Vem comigo.
Quando me ouço dando conselhos, tenho a impressão de que sou uma adulta equilibrada e bem resolvida. Mas quem ouve discurso não vê tombo, nem a variedade de situações esquisitas e mal resolvidas acumuladas no currículo, porque não há terapia que remedeie estragos já feitos.
Decidi que não vou computar pelo terceiro ano consecutivo minha idade, porque não haverá comemoração, pelo menos não da forma e com o ritual que eu gostaria. Vou esperar tudo passar…
O problema do “quando tudo passar” é que não há prazos, e eu trabalho com prazos. Planejar a vida sem saber quando ela vai acontecer é como decidir o que fazer com o dinheiro da Mega-Sena só porque apostou no jogo. No dia seguinte ao sorteio, acordo pobre e atrasada, como sempre. E os dias na pandemia são iguais, desde março de 2020, com uma exceção ou outra.
Então para driblar a distopia que vivemos com foco no “quando tudo passar” entro em sites de viagem, escolho destinos, aproveito promoções, reservo passagens para algumas vezes cancelar no dia seguinte. Procuro hotéis, leio dezenas de avaliações e coloco na caixinha imaginária do “quando tudo passar”.
Isso é bem ruim, mas é necessário!
Esse ano não terá aquela festa, mas também não terá aquela neura: Estou ficando velha! Acho que isso é coisa do meu pai que entra ano e sai ano lá vem ele exclamando: Tá ficando velha! (Freud corre aqui!)
E para aqueles que ainda pensam como ele, só posso responder: obrigada! Estou velha, mas sou gata. Estou velha, mas conquistei o respeito profissional que almejava. Estou velha, mas corro 18 quilômetros. Estou velha, mas faço Crossfit, Musculação e Corrida seis vezes na semana. Estou velha, mas tomo vinho e tomo chope sem acordar de ressaca. Estou velha, mas danço rocheda e danço funk em cima de um salto 10. Estou velha, mas as vezes uso cropped, tenho piercing e fiz recentemente uma tatuagem enorme nas costas.
OK! Se estou ficando mais velha…
Mas afinal, o que é ser velha mesmo?

🥰 essa é você…velha vc tá lindíssima numa fase maravilhosa aproveite !!!!👏👏👏👏