Hoje não é bem uma festa, mas que todo mundo está esquisito em 2020, isso está!
Senta aí, quero falar sobre mim… É melhor vocês saberem a verdade agora… Peguem uma xícara de café e fiquem à vontade, eu posso demorar. Pode ser que eu demore uma noite, ou uma vida… A única coisa que eu posso te garantir é que eu não consigo ser de poucos segundos.
Aniversário me deixa emotiva. Eu vivo quase no limite de uma crise existencial nesse dia em específico…
“Hoje, 30 de julho. Amanheceu nublado lá fora, mas mesmo assim, como todas as quintas, acordei e sai para correr… O que via de regra era uma manhã de aniversario triste e deprimida, estranhamente foi boa! O que endorfina, café e alguns bons amigos podem fazer por você? (Talvez seja um assunto para meu próximo post).
Fui pra casa da mamy, voltei para casa e numa espécie de boicote, passo trinta e cinco minutos olhando pra tela do celular sem saber o que fazer com a minha existência… Enquanto meu dedo desliza pela timeline infinita do Instagram, reflito sobre como a minha vida está longe de ser perfeita e que bom que ela não é!
Ok, eu confesso: eu sou um pouco complicada. Talvez eu possa culpar a astrologia, já que sou Leonina com ascendente em Gêmeos – o que basicamente quer dizer que, apesar da minha velocidade de raciocínio para coisas que eu domino, possuo um sistema nervoso sensível que acarreta pequenos problemas de estafa cerebral. (Exatamente isso que indica um mapa astral recebido feito pela aprendiz de astrologia Viviane Rodrigues. rs).
Para melhor equilíbrio e para evitar essa tal estafa, nessa quarentena, estou ocupando o meu tempo sendo a melhor versão que eu posso ser de mim mesma – e antes de ser pro mundo, eu quero ser pra mim. Por mim!
Acho até que estou aprendendo a conviver melhor comigo, estou me ouvindo mais, prestando atenção nos meus pensamentos. Parei de fugir dos meus sentimentos. Se é pra doer, que doa até passar. Se é pra gostar das pessoas, que seja pra transbordar – mas que eu nunca deixe de me amar em primeiro lugar. Parece óbvio, mas de tanto fazer disso um mantra “Ame-se primeiro” que tenho essa frase tatuada na perna. Aprendi com o tempo de que se eu não priorizar as minhas vontades, ninguém fará isso por mim.
Estou reconhecendo os meus limites e abraçando as minhas dúvidas – eu já sou madura o suficiente pra saber que eu não sei de tudo. A propósito, a maturidade também me deu a permissão de sentir – sinto muito, eu não sei sentir pouco e não sei tudo de mim também.
Voltando as minhas lamentações, ontem pra fechar o ciclo já que hoje começa um novo, resolvi fazer uma faxina no meu quarto pra ver se organizando um pouco o mundo à minha volta, eu consigo colocar também os meus sentimentos no lugar… Decidi começar pela estante de livros, aquela onde eu guardo tudo, inclusive os sentimentos que eu (pensei que) havia esquecido.
Nota mental: nunca comece pelos livros, existe uma grande chance de você não sair desta parte.
A última caixa estava cheia de coisas: folhas, cadernos, diários que jurava ter deixado na casa da minha mãe e fotografias…
Observei aqueles diários por alguns segundos, respirei fundo e cheguei a uma conclusão: a história da minha vida poderia ser contada pelos textos que escrevi.
Sim, textos que eu escrevi sem a intenção de publicar, só para que eu pudesse ler depois como se estivesse em um diálogo comigo mesma – é, eu disse que tenho manias estranhas. Pode parecer loucura, mas é que às vezes eu tenho a impressão de que os outros não entendem exatamente o que eu quero dizer, então assim, escrevendo só pra mim, pelo menos eu tenho certeza de que (quase) sempre eu serei compreendida.
Já me arrependi por abrir o meu coração e tentar conversar com pessoas que não estavam dispostas a me ouvir. Então aprendi a desabafar comigo mesma. Até porque eu sou muito confiável e não saio por aí espalhando os meus segredos. rs
Então desde que me entendo por gente, é assim: tudo que eu não consigo, não posso, ou não quero dizer, preciso escrever. É uma condição pra eu continuar respirando. É o que eterniza os momentos que eu gostaria de reviver ou que eu gostaria de libertar da minha mente. É o que deixa os meus problemas mais leves. É o que alivia a minha alma. É a minha terapia.
Reli alguns textos e como é de se esperar, não sou como toda garota e há milhares delas aí com sonhos muito melhores do que os meus, com ambições maiores, e a única coisa que temos em comum é que nenhuma de nós nunca quis, esperou ou sonhou ser salva por príncipe nenhum, porque príncipes só dão dor de cabeça, os sonhos nunca se realizam e, em alguns momentos da vida, fui muito mais feliz com uma pizza de palmito, uma garrafa de vinho e alguns episódios de Jane a Virgem (imaginem uma virgem inseminada artificialmente numa de suas visitas ao ginecologista? Uma pegada novelesca total mexicana, assim como nossas vidas às vezes)
Será que tenho algum trauma? Vidas passadas? Primeiro Amor? Só desejo parceria, momentos bons, poucas cobranças, leveza… Não sonho com vestido branco, filhos e nem morar no castelo com o príncipe encantado, eu só sonho mesmo em comer e não engordar, beber e não ter ressaca, não trabalhar às sextas, ter mais peito para negociar meus salários e pagar pelo meu próprio castelo, por muitas aventuras, por tênis confortáveis, bolsas caras, sutis procedimentos estéticos e passagens em classe executiva, porque a princesinha aqui tem algumas dores na lombar e príncipe nenhum no mundo é melhor do que viajar deitadinha.
Mas, relendo também alguns desses textos e no meio de papeis espalhados pela cama, me deparei com aquele envelope vermelho contendo uma carta de amor… E sim! Eu já recebi cartas de amor escritas a próprio punho, o que para a geração de whatsapp, instagram e facebook isso é no mínimo brega.
… E aquela que ainda não acredita em sapos que viram príncipes e sim em príncipes que viram sapos, um filme juvenil passou pela cabeça em 7 segundos!
Já vivi e já escrevi boas histórias e se eu fosse relembrar não saberia nem por onde começar… pelo início provavelmente seja uma boa opção, né? Então vamos lá, deixa eu pegar uma xícara de café pra voltar aos anos 2000… 2001 pra ser mais exata”…
E como no Castelo Rá-Tim-Bum: Senta que lá vem a história…