A canção…

Sentei aqui com várias idéias de textos diferentes: sobre meu trabalho, sobre o quanto o cheiro das pessoas e das coisas influencia e marca, sobre a eterna incerteza que vivemos quanto ao amanhã. Pra cada uma dessas idéias havia um texto completo na cabeça, mentalmente redigido (e revisado, inclusive), cheio de nuances, com seriedade e divagações mil, um texto para cada assunto, pá. Certinho.


Sentei aqui, cumpri a rotina mínima – ler meus e-mails, já que são quase seis da tarde, e só agora terminei o meu trabalho pra revista – a fim de começar a escrever, já pensando em qual dos assuntos seria o primeiro a ser trazido à baila. Nada de novo nas mensagens, vamos ao que interessa: vamos deixar as palavras saírem como crianças quando saem do colégio, alegres, cheias de liberdade e rindo de qualquer coisa, numa inocência e felicidade ímpares. "Vou abrir essa gaiola e deixá-las voar como passarinhos voltando pra casa", pensei. Pronto, vamos.

 

Antes de começar o meu outro trabalho, afinal, ando que nem uma zumbi, trabalhando até altas horas da madrugada, elaborando textos e tratando fotografias, resolvi postar alguma coisa sobre o meu dia…

 

Hoje não trabalhei na Sislog (meu serviço fixo), tirei alguns dias por conta de férias, pois tenho que terminar alguns textos para a Revista Veja… Acordei bem cedinho e lá fui eu para mais um dia de entrevistas… Quando pego meu carro, uma música linda toca na rádio. É raro tocar uma música assim… Uma que mexa tanto comigo, uma que eu deseje tanto viver…

 

Bem, não vou falar qual era a música… Cada um se identifica com determinado cantor/banda, e independente de qual seja, o que vale é a letra, a mensagem que é passada… E se o ritmo for de acordo, melhor ainda…

 

Considero-me uma pessoa muito auditiva, gosto de ouvir, prestar atenção nas palavras, nas letras… Gosto de tudo que tenha relação com a música… Cantar, dançar ou apenas escutar, faz parte do meu contexto…

 

Terminando a canção, voltei a sentir a dorzinha incômoda nas costas… E não escutei nenhuma das músicas que vieram depois – fiquei surda, como se estivesse hipnotizada… Ainda estou entorpecida por essa droga poderosa que é a canção, que causa uma onda de imaginação inenarrável, faz a gente sorrir sem ter por que ou chorar por uma dorzinha que nem estava incomodando tanto…

 

Sinto muito, queridas, mas essa manhã me dei o direito de sorrir e chorar… Me dei o direito de ser eu mesma!

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