Já viu uma moça estudada, pós-graduada, jornalista, coordenadora de RH tendo atitudes infantis? Prazer. Sou eu. Um dos mais belos exemplares da espécie. Meu nome é Kátia, escolhi ser jornalista porque gosto de observar pessoas, seus movimentos, a cidade, analisar fatos e escrever. Mas não curto falar, me aproximar demais, interagir demais, fazer perguntas evasivas, talvez seja por isso, que escolhi os bastidores do jornalismo e a coordenação de recursos humanos e não um telejornal.
Dias atrás, uma pessoa me perguntou como uma alguém “inteligente” como eu poderia ter atitudes tão infantis, mas engraçado, não encontrei a resposta… Fiz duas faculdades, pós-graduação, infinidades de cursos, já escrevi para revistas de peso, já ganhei premio nacional, já tive que lidar e entrevistar pessoas de diferentes culturas e classes sociais, já viajei para a África, Suécia e Dinamarca sozinha, já tive amigas cultas, outras que tinham dificuldades em escrever o próprio nome, já tive uma amiga com síndrome do pânico e que hoje é uma excelente psicóloga, um chefe que teve surtos psicóticos, outro com TDAH, já tive dois excelentes namorados, que me fizeram muito feliz e já tive duas amigas que me magoaram demais, já plantei uma árvore em Três Pontas, já permiti que cortassem uma na minha própria chácara… Tenho um armário de dar inveja a qualquer apreciador da boa leitura, e diga-se de passagem, já li todos os livros dele, mas apesar de achar que tenho uma boa bagagem cultural, não sou madura o suficiente. Preciso reconhecer!
Sou infantil quando observo que minha mãe prepara o prato que a minha irmã mais gosta, sou infantil quando observo que a minha irmã caçula pegou aquela roupa novinha para usar escondido, mesmo tendo um guarda-roupa de dar inveja a muitas mulheres, sou infantil quando deduzo que alguém está falando de mim pelas costas, sou infantil quando os amigos de trabalho não me chamam para tomar café no mesmo horário deles, sou infantil quando tenho ciúmes…
Talvez minhas crises de infantilidade estejam mais ligadas a minha personalidade… E confesso, ela é mutante. Assumo a forma de um camaleão dependendo da pessoa com a qual me relaciono. Assumo faces e facetas diferentes, afinal, mudam-se as pessoas, mudam-se as atitudes… Sendo assim, resolvi relaxar e parar de me preocupar com perguntas como “porque eu faço isso?”, “será que é infantilidade da minha parte?”, “será que devo me expor, ser sincera e mostrar o que sinto?”. Chega de tantas suposições! Chega de buscar tantos motivos, tantas respostas, tantas garantias…
Infantilidade? Talvez faça parte de mim… Muitas vezes sou a minha dor, o meu desespero, a minha falta de confiança, o meu medo de não conseguir. Outras, sou a minha felicidade, o meu êxtase, o meu excesso de confiança, a minha certeza de chegar lá…
Para aquelas perguntas em que eu não encontro uma resposta, acho que um oráculo resolveria meu problema…
E sabe o que eu deduzo que ele responderia?
– Kátia, minha querida! Admitir que você tenha atitudes infantis, que tem medo de perder, que sente ciúmes, que ainda não me se tornou a pessoa que gostaria de ser, já é uma forma de amadurecimento.
Esse oráculo é aquele que está dentro de mim mesma, sabe?
Se ele está certo? Vai saber?
perfeito…amiga muito bom…..
É minha querida vc ja assistiu o filme ou leu o livro o mundo de sofia??? É exatamente isso que existe em vc… a filosofia só se aparece para pessoas que amam a própria filosofia sem ao menos saber…será que seria esse o grande oráculo?? O dom de questionar o inquestionável e tornar nossas próprias raízes longe de nós mesmo…a arte de colocar para fora em uma escrita aquilo que esta dentro de nós….. São tantas coisas que nos fazem perceber que o que existe não é a infatilidade mais sim simplesmente a arte do amadurecer….
A Introspecção é o sinal verde para o crescimento espiritual do homem.