Vivo de hipérboles, em meio a paradoxos e antíteses… Todos os sentimentos em mim criam raízes. Sejam eles sentimentos bons e ruins. Dentro de mim há um labirinto, tudo se perde… Tudo se acha… Divinamente escrevo o que sinto, outras vezes, escrevo em desgraça. Às vezes, sinto que sou protegida por anjos, outras vezes até ouço a voz do capeta, então grito, esperneio e escrevo no silencio dessas teclas. Tudo em mim é constante e complexo.
Sou uma mulher esclarecida, muitas vezes indecisa, que arrisca rascunhar pensamentos na ânsia de me livrar deles. Algumas vezes, isso funciona, outras vezes acentua, mas continuo tentando…
Quando pequena costumava indagar a menina diferente que eu era, aliás, que eu sou… A menina que se abre pouco, mas que aprendeu desde cedo desvendar os mistérios da arte de escrever sozinha e de se revelar pela escrita.
O engraçado disso tudo é que agora narro sem descompasso, escrevo o que me vem, o que estou sentindo, escrevo para alguém ou para mim mesma, não uma carta comum, mas sobre minha vida, sobre o que sou simplesmente, sobre o que mais gosto de fazer, sobre os poucos amigos, sobre as decepções, os momentos felizes!
Quando escrevi a primeira carta, e uma sucessão de incontáveis outras, foi para minha avó Pretinha (esse era seu apelido), eram uns garranchos, riscos que não identificavam nenhuma letra, mas que na verdade, nem precisavam, pois ela não sabia ler. Revelavam apenas a alma de uma garotinha que a amava sem nem ao menos conviver com ela. Ela no Piauí, eu em Caçapava. Sinto falta dela!
Eu cresci ouvindo todos dizerem, sua avó se orgulharia de você, eu sei que ela se orgulha! Em algum lugar…
Depois de adulta minhas cartinhas eram remetidas para minha outra avó, a Toinha. Se não me falhe a memória, enviei uma em abril desse ano e tudo da forma manual e à moda antiga. Encomenda ou correio, o que confere graça ao procedimento.
Hoje me sinto triste, como se não bastassem os tropeços da vida, recebi a cautelosa noticia de que ela está doente, bem doente…
E esses momentos são os mais reflexivos para mim, pois eles me ensinam e me fazem pensar no valor da vida, no valor do amor e no valor das pessoas que nos cercam… Teremos muitas decepções sim… Corações em luto… Corações em festa… Mas, é isso! Tudo é passageiro! Sendo assim, porque não demonstrar mais amor? E não só isso: ter mais cautela com o sentimento alheio, evitar promessas falsas, agir com coerência aos sentimentos, aprender com os erros. São tantas pequenas atitudes que só dependem de nós mesmos.
Meus pensamentos criaram asas aqui… Desculpem! Estou falando de tantas coisas misturadas… rs.
Talvez seja isso! Éh! As coisas estão reviradas na minha cabeça! Esse texto é um expurgo da minha alma, um pouco do que eu queria dizer, uma tentativa de aliviar essa mistura de tristeza, decepção e euforia, palavras descompassadas, assim como se encontra meu coração…
Tem muito mais de mim que quero escrever, tem tantas coisas que quero fazer, quero falar da minha infância, das tristezas, das alegrias, da pessoa simples que sou, da requintada que às vezes preciso ser, dos passeios de bote com um guarda chuva, de andar na chuva em um dia qualquer!
Mas hoje, excepcionalmente hoje, vou deixar tudo de lado pra finalizar esse texto com um apelo pessoal: – Vó Toinha fica bem logo! Como te disse da ultima vez que nos encontramos a senhora ainda será a minha dama de honra na igreja. Não precisamos ter pressa, né? O noivo está meio atrasado, mas sei que ele já está a caminho…
As vezes não temos como falar dos ‘demônios’ que assombram o nosso íntimo, ou porque quem está conosco não quer ouvir, ou porque não nos entenderiam, ou até assumiriam uma culpa que não existe. E que melhor maneira de exorcizá-los senão esta: escrever, ainda que descompassadamente, mas com uma lógica que é só nossa. Muito bom o seu ‘diário’, como tantos outros que você já publicou. Abraço.
Como sempre…cultivando os momentos de gratidão aos entes queridos.,.em amiga ..isso aiii muito amor..que vc transborda esse amor ,
por que ele ta ai dentro de você sempre !!!..