Refém das minhas convicções…

Há alguns dias, tendo de administrar melhor o meu tempo, comecei a me sentir incomodada com algo, mas sem saber o que, exatamente. Sentia-me sem vontade de trabalhar na Sislog, me dispersando por qualquer motivo, improdutiva. Resolvi me observar; queria descobrir o que estava me deixando irritadiça, como se estivesse contestando alguém ou alguma coisa.

Hoje, numa das minhas discussões profissionais e por escutar das pessoas mais próximas de mim que eu não estava dando o retorno de sempre, ‘a ficha caiu’: estou me sentindo refém!Mergulhei neste sentimento… Refém de quê? De quem? A troco de quê? Quanto deveria ser pago pelo meu resgate, a fim de que eu me sentisse livre? Quem pagaria?

Segundo o Aurélio, ‘refém’ significa: “Pessoa importante que o inimigo mantém em seu poder para garantir uma promessa, um tratado, etc.”. Achei esta definição perfeita, formidável. Era exatamente isso que estava acontecendo. E fiquei pensando que a maioria de nós se torna refém de algum inimigo durante boa parte de nossa vida.Mas que inimigo? Não tenho inimigos!”, Isso não é verdade! E eu afirmo, com certeza, que se não estivermos atentos, teremos um inimigo em potencial muito mais perto do que imaginamos: uma parte de nós mesmos, seja em forma de pensamentos negativos, de crenças limitantes, de promessas ultrapassadas, de tratados que já não fazem sentido, ou simplesmente de desejos que não valem o preço do resgate.Traduzindo melhor, acho que esses inimigos podem ser nossas próprias escolhas…

Algumas nos garantem aquisição de bens materiais; outras escolhas podem ser comportamentos para obtenção de fama ou reconhecimento de alguém… Enfim… A cada atitude fizemos nossas escolhas… Se eu falar, minha escolha é a liberdade de expressão de defender algo que eu acredito estar certo… Se eu fico quieta, estou consentindo uma situação…Claro… Tudo isso tem sua importância, sem dúvida! Mas nós somos mentores de nossas escolhas. E cada escolha é uma renuncia de algo.

Hoje, quando me desentendi com uma pessoa e prometi pra mim mesma de que não me envolveria mais nos problemas alheios, mas que deveriam ser resolvidos por mim, eu menti! 

 Porque é bom começar a considerar que a partir do momento em que você age sem respeitar seus verdadeiros sentimentos, sem levar em conta sua missão, seus dons e seus valores, torna-se refém de si mesmo, torna-se seu próprio inimigo.Abdica deliberadamente do seu direito de questionar o caminho que tem seguido e, se for o caso, mudar de idéia, de perceber que nada é garantia nesta vida…

Deste modo, quando algo me incomodar, vou sempre me interrogar: quem disse que só existe esta saída? Quem disse que eu só poderei me sentir feliz deste jeito, neste lugar, com esta pessoa ou neste trabalho? Quem disse que eu tenho de ter isso ou aquilo? O que eu realmente quero? O que tenho feito para seguir a minha verdade, ainda que ela seja diferente da verdade de ontem? E, por fim, o que tenho feito para apostar diariamente naquilo em que eu genuinamente acredito?!?

Assim, estou certa de que valerá a pena pagar o preço do meu resgate. Sim, porque sou eu quem terá de pagá-lo. Sou uma pessoa muito importante e não posso permitir que o inimigo – ainda que seja eu mesma – se mantenha no poder…

Se um emprego se torna um cativeiro, é hora de pagar o preço pela minha liberdade e retomar o caminho da felicidade, o meu caminho!

Deixe um comentário