Meu mês de reflexão

De repente, as velinhas do meu aniversário não começam mais com o algarismo 1 nem 2. Acabou, meu bem. Se eu tiver sorte, poderei voltar a ver tal número nessa posição quando completar 100 anos. Para isso, evitarei álcool, dormirei oito horas por dia, farei atividade física e fugirei do stress.

Passar dos 30 é atravessar uma corda e a gente só mergulha nessa travessia porque não temos outra forma e não sabemos direito o que tem do outro lado… Talvez as escolhas mais decisivas da vida sejam feitas nesse período. Pelo menos as minhas!

Aos vinte e poucos, algumas coisas estranhas começaram a acontecer. A fase fanfarrona da faculdade chegou ao final e precisei começar a trabalhar com seriedade, mesmo que eu, na época, não tivesse a menor ideia do que estava fazendo. As pessoas repetem incansavelmente que essa é a melhor fase da vida e que é preciso viajar e curtir muito, mas o vazio da conta bancária simplesmente não fazia sentido. Engraçado como todo mundo é cheio de conselhos nostálgicos para tal fase da vida, como se oferecê-los pudesse remediar os erros que — mal sabem eles! — tiveram que ser cometidos para que os acertos finalmente viessem.

As celebridades que ditam uma série de comportamentos (inclusive os seus!) são, muitas vezes, mais jovens que você. A profissão outrora escolhida com certeza e o amor começam a mostrar as garras, fazendo questionar se é aquilo mesmo que você quer para o resto da vida.

Alguns amigos se casam e têm filhos num surreal piscar de olhos, mas outros se resignam a negar a vida adulta e decidem deixar rolar (e nisso eu me incluo perfeitamente). Talvez você esteja em um desses dois grupos, talvez não. As baladas vão ficando mais escassas, porque um estranho pingo de juízo começa a lembrar que a ressaca é dolorida e bastante real. Alguém se identifica?

Aquelas amizades eternas que geravam longos depoimentos no Facebook vão se desfazendo e permanecem apenas as verdadeiramente sólidas.

E a vida amorosa? Vai ficando mais discreta e algumas variáveis nunca antes pensadas brotam de algum recôncavo da consciência que agora faz companhia de vez em quando: casar ou não? Ter filhos ou não? Morar junto ou não? Por que diabos não nos avisaram que as contas não se pagam sozinhas?

Antes mesmo de fazer 30 anos as propagandas de creme anti-idade pareciam ser direcionadas como uma flecha a mim. “Prevenção” passou a ser palavra de ordem!

Os varios términos de namoro já não são mais tão apocalípticos quanto antes. Por incrível que pareça, a figura da mulher balzaquiana — segura e fatal — vai se tornando mais interessante e convidativa que a de Lolita.

Tenho opiniões próprias, mas não tenho nenhum problema em mudar… Comecei a ler mais livros e pessoas, selecionando ambos de forma criteriosa.

Talvez eu não tenha decidido tanto quando gostaria, mas certamente sei o que não quero para minha vida. Fiz as pazes com meu próprio cabelo e defini um estilo de me vestir, mesmo que ele seja um grande e delicioso pout pourri que reflita minha alma colorida e levemente confusa.

Partindo do pressuposto poético de que é melhor ser alegre que ser triste, que a alegria é a melhor coisa que existe, resolvi fazer uma avalanche de coisas que me deixam feliz e me dão prazer e colocar um bocado de poesia no paladar amargo desses dias.

Cheirar um livro. Comer brigadeiro na panela. Ouvir o silêncio enquanto trabalha. Quebrar onda. Dormir a tarde numa rede. Receber uma pessoa amada na área de desembarque. Ir ao cinema. Namorar no carro. Comer pudim. Arroz com feijão. Fritar um ovo e quebrar a gema. Comer pizza com as mãos. Tomar vinho. Tomar banho de chuva. Tomar o rumo de casa, depois de um dia exaustivo. Gargalhada de nenê.

Pagar uma dívida. Demitir-se de um péssimo emprego. Acarinhar cachorro de rua. Mimar meu próprio cachorro. Lavar o carro. Colo de mãe. Deitar-se no gramado e mirar o céu lindo-que-tá-danado até encontrar a solução para um problema que parecia insolúvel. Café coado. Cantar dirigindo. Ganhar abraço de criança. Vestir-se com simplicidade e se sentir linda. Disney. Abrir o envelope e ler o resultado de um exame, escrito em letras garrafais: NEGATIVO.

Viajar. Good hair day. Dançar. Guarda-roupa organizado. Comida Italiana. Netflix. Dormir bem. Casa limpa. Mensagem inesperada. Chope com amigos. Música ao vivo. Férias. Livros de Romance. Aprender algo novo. Evoluir no trabalho, no estudo, na academia, na vida…

Acho que poderia continuar essa lista até amanhã, mas por hoje é só.

Essa listinha só complementa as outras escritas por aqui e quem acompanha esse blog sabe de muitas outras coisas que fazem um ser humano mais feliz…

E daí que eu gosto de ovo com gema quebrada e sou louca por romances literários, né?

 

1 comentário Adicione o seu

  1. Avatar de Raquel Pereira Feminino Silva Raquel Pereira Feminino Silva disse:

    😍

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