São Paulo, 15 de outubro de 2017.
Destino esse texto àqueles que me ensinaram que não há outro jeito de se começar uma carta, senão pela data.
Caro professor (a),
Sinto muito pelo o que fizeram com vocês. Ver o quanto a sociedade os desprezam — nos princípios e no salário — me entristece e me dói como se fosse comigo. E, de certa forma, é.
Tive minha primeira professora em casa, a que me ensinou a falar “mamãe”, pois era ela mesma. Ensinou-me o significado de “não” e quais eram as vogais. Quando entrei na pré escola, Dona Cidinha foi a extensão de mamãe. Esta, com todo carinho e amor, me ensinou os primeiros rabiscos. Com 7 anos fiz minha primeira poesia, porque a professora mandou e incentivou. Saber que a maioria dos que eram meus colegas na época hoje nem se lembram mais de sua existência, me mostra o quanto seu nome era em vão.
Já não bastasse o esquecimento dos alunos, vocês têm de enfrentar o descaso do Governo. Recordo-me de como foram importantes meus professores de Educação Artística (Professor Ney) e Educação Física (Professora Soninha) hoje, matérias deixadas de lado e não obrigatórias na grade curricular das escolas. Não, não foram extintas (como o próprio Governo diz), só não são tão importantes assim.
Enquanto os professores do primário não têm nenhum valor, os que dão aulas em universidades roubam-lhes toda a importância. Parei de contar quantas vezes ouvi que não podia ficar dando ouvidos aos meus professores da faculdade, pois são manipuladores demais. Quem dera o mundo inteiro pudesse reconhecer que tais profissionais podem nos abrir portas, janelas, até o universo!
Nível superior, tive professores fenomenais! Tanto na primeira, quanto na segunda graduação.
Mas a verdade é que todos vocês foram e sempre serão os meus óculos, me fazendo enxergar com mais clareza a realidade que antes era vista com miopia. Se não fosse por vocês, eu jamais estaria onde estou. Nem eu e nem mais ninguém dessa sociedade tão mal agradecida. Não sou mais cega das letras, muito menos cega do mundo.
Escrevo para reafirmar a vocês de que ainda vale a pena. De que as inúmeras vezes em que abraçaram seus alunos (até literalmente) não foram esquecidas. De que as lições, dentro e fora da escola, não foram apagadas. De que sois importantes. Sempre serão!
Um feliz Dia aos Mestres que tornaram meu mundo infinitamente melhor do que se não os tivesse conhecido!