Depois de um tempo sem passar por aqui, eis que sinto vontade de registrar algo. Mas registrar o quê?
Muitas pessoas me perguntam de onde tenho as ideias para os textos. Confesso que não sei! São assuntos com amigos, coisas vividas, fatos que aconteceram com outras pessoas ou vistos na tv, lidos no jornal ou em revistas.
Hoje em específico, por uma grande coincidência duas pessoas leram esse blog (acredito que o ultimo texto) e me deram um feedback sobre. Duas pessoas no mesmo dia lendo o mesmo texto no mesmo blog.
Achei um tanto curioso, já que eu postei há mais de quatro meses.
Quem perde o tempo lendo a insanidade dos meus questionamentos?
Mas os meus questionamentos e inseguranças também podem ser de outros, muda-se a configuração ou a roupagem e estamos ai com todas as neuras que a vida adulta nos trás.
Na minha adolescência, fase em que a emoção estava em voga e amores platônicos eram rios cheios de lágrimas, descobri o quanto aquele universo me atraia. Não o de namorar em si. Mas o de imaginar os romances. Os encontros e desencontros. Fantasiar os atos do ser desejado. Mesmo que na maioria das vezes eu não sabia o que desejava direito.
Foi aí que comecei a ler muito e a escrever também. Nesse momento percebi que gostava, de vez em quando, mais do mundo imaginário do que do real. Ganhei do meu pai uma maquina de escrever (isso por si só já entrega a minha idade). Presente de quinze anos. Não saia dessa máquina. Nela escrevia contos e cartas bobas, infantis, adolescentes, mas que faziam todo sentido pra mim. Daquele tempo nada restou. Nem a máquina, nem os contos, nem as cartas e nem os amores.
Depois por muito tempo não escrevi. Só meus diários e agendas. Guardava sentimentos, emoções, fotos e fatos vividos. Se um dia a memória faltar, lá estarão, todas as minhas recordações juvenis e de adolescente.
Voltei escrever muito tempo depois. Comecei um romance. Com muita realidade. Uma história comum. De uma mulher comum. Com coisas comuns. Cheia de sentimentos femininos e masculinos traduzidos em palavras. Parei depois de algumas laudas redigidas.
Depois disso veio o jornalismo. Passei a escrever como aspirante a profissional. Matérias, trabalhos, muitas coisas envolvendo comunicação. Muitas crônicas e artigos. Com paciência conciliei as histórias, os contos e os trabalhos cansativos. Mas não mostrava pra ninguém. Tinha vergonha desse lado literário.
Escrevi noticias para faculdade, jornais de bairro, de empresa, de escolas, Revista Veja até chegar a esse blog. Passo, às vezes, horas na frente do computador pra digitar algumas linhas e não gostar. Em outros momentos, sento aqui e tudo sai. Como hoje, por exemplo, que gastei exatos e cronometrados sete minutos até aqui.
E as ideias? Comecei a prosa pra falar delas. Pois bem, elas surgem de todos os lugares. Da rua. Dos amigos. Das redes sociais. Acredito mesmo que elas saem da vida. Da loucura do mundo. Da rotina!
Ah! A rotina…
Todos os dias essa mesma rotina. Acordar, tomar banho, escovar os dentes, vestir uma roupa de acordo, tomar café, fazer maquiagem, pegar o trânsito, chegar ao trabalho e é aquele bla bla bla, correria, pancada, confusão e estresse. Depois trânsito de novo, chegar a casa, coisas pra arrumar, academia, dança, banho, jantar, livro e cama.
É vida que segue, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, quatro semanas no mês, doze meses no ano.
E ai você fica pensando “nossa já estamos na metade do ano”, “nossa o dia precisava ter mais horas”, “nossa eu nem vi o tempo passar”. E a gente não vê mesmo.
Quando foi a última vez que você realmente se divertiu? Se você demorar mais de três segundos para lembrar é porque faz tempo… Estamos preocupados com todas as coisas que temos e que queremos que nos esquecemos de simplesmente viver.
Hoje, em meio a essas divagações e em meio a rotina de checar redes sociais soube que uma pessoa que eu conheci há algum tempo e muito amiga de uma prima minha faleceu. Vitima de um AVC.
Como assim? AVC com menos de 40?
Estranhamente, sua ultima atualização de perfil foi a frase: “A vida é um trem bala parceiro, a gente é só passageiro prestes a partir”.
Essa sabia das coisas! Ah! Sabia…
Obs: Sandra Pereira (In Memoriam)
Sera que temos um dia mais ou um dia menos?…temos dias que devem ser vividos !