Não, não adianta. Tenho uma raiva absurda de quem abandona um cachorrinho. Arthur Schopenhauer foi sábio quando proferiu que “quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. Acredito nele!
Ontem vi um cachorrinho que muito provavelmente foi abandonado e, sinceramente, se eu encontrasse o filho da @#&*! diria a ele poucas, mas sinceras grosserias.
Se ele foi adotado, fulano de tal? Não, ele não foi adotado por ninguém. Aqui no bairro Guamirim em Caçapava, a maioria das chácaras que são habitadas já tem vários cachorros. Aqueles que não têm nenhum não querem um (infelizmente). Eu sei que você esperava que ele encontrasse um bom lar quando o deixou aqui, mas ele não encontrou. Quando o vi ontem, ele estava bem longe da casa mais próxima e estava sozinho, com sede, magro e mancava, provavelmente por causa de um machucado na pata.
Eu até queria ser você naquele momento em que parei na frente dele. Para ver um resquício da felicidade do cachorrinho. Até mesmo ver sua cauda abanar. Mas eu não era você. E, apesar das minhas tentativas de convencê-lo a se aproximar, seus olhos viam uma estranha. Ele não confiava em mim. Ele não se aproximava.
Eu estava dentro do carro, fiquei por uns dez minutos observando, chorando e pensando no que iria fazer a respeito.
O primeiro instinto foi tirar uma foto, pois eu não acreditava no que os meus olhos estavam vendo.
Sim! Ele ou ela (não consegui decifrar) está desse jeito que você está vendo.
Ele virou as costas e deitou-se embaixo de uma sombra, pois tinha certeza de que eu não o levaria a você. Ele não entende que você não está procurando por ele. Ele só sabe que você não está lá, sabe apenas que precisa te encontrar. Isso é mais importante do que comida, água ou a estranha que pode lhe dar essas coisas.
Percebi que seria inútil tentar persuadi-lo ou segui-lo. Eu nem sei seu nome. Mesmo assim, enviei uma mensagem ao grupo de whatsapp da minha família, voltei para minha chácara, peguei um pote d’água e uma vasilha de comida e ração que minha Mamy já havia preparado ao receber a mensagem e voltei para o lugar onde o havia encontrado.
Engraçado é que em prantos, comovi não só minha irmã Kelly e meus primos Zé e Mauro como uma amiga que estava na chácara, Geisa. Três choronas, impotentes com tal situação.
Mas enfim, voltei ao local e não havia nem sinal dele… Fiquei desesperada e arrependida por tê-lo o abandonado também. E depois de trinta minutos o procurando deixei a água e a comida debaixo da árvore onde ele havia buscado abrigo do sol e um pouco de descanso.
Veja bem fulano… Ele não é um cachorro selvagem. Ao domesticá-lo, você tirou dele o instinto de sobrevivência nas ruas. Ele só sabe que precisa caminhar o dia todo. Ele não sabe que o sol e o calor podem custar-lhe a vida. Ele só sabe que precisa encontrá-lo.
Aguardei na esperança de que ele voltasse para buscar abrigo sob a árvore, na esperança de que a água e a comida que havia trazido fizessem com que confiasse em mim e eu pudesse levá-lo para algum lugar, cuidar do machucado da pata, dar-lhe um canto fresco para se deitar e ajudá-lo a entender que agora você não faria mais parte de sua vida. Mas ele não voltou…
Segui meu caminho… Fui ao Shopping Via Vale comprar uma mala de viagem, pois amanhã estarei longe e lá me deparo com uma exposição de quadros com o tema: “Chic é adotar”
Fiquei emocionada e, novamente, a imagem do cachorrinho não me saia da cabeça. Chic também é não abandonar! (Aplausos para essa campanha)
Estou preocupada. Não dormi direito essa noite… Você deve saber que poucas pessoas tentariam ajudar seu cachorro. Algumas o enxotariam, outras chamariam a carrocinha, que lhe daria o destino do qual você achou que o estava salvando – depois de dias de sofrimento sem água ou comida.
Voltei ao local antes do anoitecer. Não o encontrei. Hoje de manhã tive psicóloga em Caçapava, voltei e vi que a água e a comida permaneciam intactas. Ah, se você estivesse aqui para chamar seu nome! Sua voz é tão familiar para ele. Comecei a ir à direção que ele havia tomado ontem, sem muita esperança de encontrá-lo. Ele estava tão desesperado para te encontrar, que seria capaz de caminhar muitos quilômetros em 24 horas.
Chorei mais um pouquinho e amaldiçoei você por ter o abandonado. Rezei, para que você um dia o encontrasse na situação que eu o encontrei ontem.
Por quanta coisa ele deve ter passado!? E eu sofro, pois sei que, se ele te encontrasse agora, seus olhos brilhariam ao reconhecê-lo, ele abanaria sua cauda e o perdoaria.
Essa é a diferença entre você e seu cachorro!
Desejo que você nunca seja abandonado por alguém.
Ps: Vi esse cachorro ontem, por volta das 15h na Rua Nossa Senhora Rainha da Paz no bairro Guamirim em Caçapava. E espero sinceramente que alguém o encontre, o alimente, o resgate desse sofrimento e o ame.
Maravilhosa atitude Kátia!! Parabéns!! Sei muito bem o que vc sentiu…..Te conheço bem e sei o coração enorme que vc tem! Que Deus lhe recompense toda essa bondade que tem dentro de vc. Beijos.