
Toda mulher é um pouco contraditória e eu não poderia ser diferente…
No meu caso, há três mulheres dentro de mim muito insistentes. Tento dar conta delas, dizer para ficarem quietinhas, mas estão ali e, de vez em quando, aparecem nas horas mais erradas. Trata-se da minha “perigosa perua”, da minha “poderosa cabecinha” e da minha “amorosa sociável”. São três mulheres completamente opostas que moram aqui dentro e que tenho de controlar diariamente — para evitar um colapso. Como elas brigam muito, às vezes uma aparece onde deveria estar a outra. Em alguns dias, por exemplo, a poderosa cabecinha acorda animada, quer ler livro, escrever um livro, conhecer biografias de artistas, falar de coisas sérias. Mas a perigosa perua aparece do nada e, em meio a tudo isso, pensa na liquidação do shopping, no presentinho que tem de comprar para uma amiga, no vestido da Fernanda Lima.
Já a amorosa sociável, tem que estar sempre disposta… Ser antipática, não é da minha natureza! E, acredito que a sociabilidade tem lá suas vantagens. Acho que uma das poucas vantagens do antipático é não ter a obrigação de sorrir, não sofrer quando não sente vontade de ir a um lugar com várias pessoas novas, só para agradar…
Já a perigosa perua quer olhar sites de roupas com desconto no meio do horário de trabalho. Ela quer perder uma manhã inteira na loja de sapatos. Toda vez que eu falo “ei, psiu, fica quietinha que agora não é hora de você aparecer”, aí é que ela vem mesmo. Já a metidinha a cult que existe dentro de mim é… mais teimosa ainda. Fica ranzinza nos blocos de carnaval (assim como aconteceu em São Luiz do Paraitinga), tem horror de Shopping Center cheio (como no dia do Black Friday), não suporta passar um fim de semana com pessoas que não leem jornal.
Mas nessas horas, preciso despertar a pessoa sociável. E, convenhamos, ser legal é uma fonte de energia muito poderosa e, muitas vezes, desgastante.
O conflito se repete nas situações de convívio social. Se estou bem naquela rodinha de namoradas dos amigos homens – pessoas com as quais não tenho muita afinidade -, é hora de a perigosa perua sair e falar das liquidações, da nova dieta detox, da separação do Cauã Reymond, da técnica de alongamento de cílios, da ultima tendência em progressiva. Mas, o que acontece? A cabecinha é mais forte e teimosa. Resolve dar as caras, ser irônica e falar que, segundo pesquisas recentes, a indicação de Joaquim Levy para ministro da fazenda é algo empolgante para o Brasil. Por outras vezes, quero discutir sobre o livro que José Dirceu está escrevendo sobre a sua prisão, com o nome de “Tempos de Papuda”. Quero discutir sobre doação de óvulos, parto normal, sobre a critica de um livro que li recentemente e por aí vai… E é certo que a cabecinha tem de enfrentar aquele olhar de “gente, por que ela está trazendo esse assunto baixo-astral?”.
O contrário também acontece. Quando estou em um público informado, sério e, muitas vezes, arrogante, minha peruinha não se aguenta e quer sair. Fica sem paciência para o papo de política, discussão sobre a imprensa, ser contra ou a favor das biografias não autorizadas. E, sem vergonha nenhuma na cara, começa a discorrer, destemida, sobre os últimos lançamentos de cores de esmaltes, as tendências do verão, a liquidação da loja da amiga…
O que fazer com essas três mulheres? Com o tempo, aprendi que tenho de aceitá-las, porque são elas que fazem da personalidade feminina tão complexa. Ora, talvez eu queira, durante uma semana, tomar suco verde e, depois, superincoerente, comer batata frita no Bar do Jonas e tomar cerveja. Qual o problema?
Talvez, esse meu lado sociável, atrai pessoas agradáveis para minha vida. Gente para te dizer coisas gostosas de ouvir, companhia para todas as horas e os mais diferentes programas. Hoje tenho aquela amiga que fica horas e horas debatendo assunto para um livro que quero escrever, aquela esportista que vai caminhar e fazer academia no começo de noite para me acompanhar; e a boêmia que fica até as 4 da matina na balada, sem parar. Como eu disse, a vida de uma pessoa sociável tem lá suas vantagens.
O grande barato é que ser uma, ou as três, não me torna menos ou mais feminina. Nem menos ou mais inteligente. O jeito é saber conviver com elas, trabalhar a atitude “do contra” — para não ser chata e para curtir, de fato, o que cada uma delas tem para me oferecer.
Escuta meu conselho. Publica um livro. Você escreve muito bem. Abracos
Faltou a quarta mulher, a modelo, ta sempre linda.
Amiga amei texto…acho que tenho 4..rs!!