Eu acordo, tomo um banho, escovo os dentes, faço uma maquiagem e uma produção, tomo um Shake da Herbalife (aderi recentemente, depois da experiência da minha prima Monise que perdeu 10 quilos). Dirijo mexendo no Whatsapp. Trabalho. Reclamo um pouquinho da correria da vida, do fechamento que precisa ser concluído, das reuniões que preciso participar…
Tomo outro shake no almoço, checo os e-mails no celular. Vou à academia. Posto no facebook. Faço uma refeição leve no jantar. Leio Revista Veja, Superinteressante, ligo o DVD. Assisto Games Of Thrones. Mando um whatsapp. Durmo. Acordo de ressaca moral. Me arrependo!
Queria observar tudo ao meu redor, mas não consigo! Vivo num mundo onde 24 horas é pouco! Mas será que não é minha culpa?
Descobri levando muita rasteira que preciso ficar sozinha e quieta para conseguir entender os recados que a vida me manda. Eu não me escuto porque sempre tem barulho em volta. Rodeio-me de gente e de vida para não ver o que acontece ao meu redor.
E algumas vezes até penso que a vida está de sacanagem comigo! Por outro lado sei que ela só vai me respeitar quando eu aprender que tudo tem limite. Eu tenho, você tem, todo mundo tem! A gente só não sabe exatamente onde ele fica, porque não paramos e nos perguntamos.
Ontem, dia das mães, parei por alguns minutos para observar a minha… Que mulher!
E a felicidade dela? Invejável… Também vive na correria, mas não tem na sua rotina e-mails, skipe, facebook, whatsapp, fechamentos e reuniões. Corre no trabalho de casa, no preparativo do almoço, do jantar, na louça, nos cuidados do nosso cachorro, nos cuidados das nossas roupas, nas compras de casa… E muitas outras coisas que sou incapacitada de relacionar, já que nunca cuidei de um lar, de filhos, de marido…
Acho que mãe tem linha direta com o divino…
Lembro que ela sempre dizia que se fosse para meu bem, iria dar certo. Passei boa parte da vida ouvindo minha mãe falar isso quando eu lhe contava de algum plano mirabolante. “Mãe, reza”, eu pedia – coisa que nem eu mesma fazia.
Eu pedia reza pra tudo. A escolha de um emprego quando eu tinha uma proposta, um carro pra trocar, um apartamento para comprar, o namorado ideal. Eu encasquetava com a ideia e queria que minha mãe rezasse pra dar certo. Acho que talvez por ela ter linha direta com o divino, ela era a mais indicada! Eu não me achava com moral para negociar nada.
Só me lembrava de rezar quando era para pedir. Então já chegava devendo.
Chamaram-me para uma entrevista. Conheci um cara aí. Estou namorando. Vou fazer academia sem desanimar. Comecei uma dieta. Meu namorado quer que eu vá morar com ele em Curitiba. Mãe, reza!
Depois de algum tempo, pensei o que teria sido da minha vida se todas aquelas coisas que eu queria tão desesperadamente tivessem acontecido.
Teria me mudado para Curitiba (eu sei mãe, você não queria ficar longe de mim), teria me casado aos 18 anos com um japonês e moraria na China (obrigada, senhor!), depois teria me casado aos 23 anos (Santo Antônio, você não sabe de nada), teria virado repórter do Estadão no caderno de automóveis (Michele, te agradeço por ter me mostrado que a vida em São Paulo era loucura demais), teria feito administração e não jornalismo (mãe, falei que era pra rezar!)
Bem, difícil é imaginar a vida como ela teria sido se minha mãe tivesse rezado por qualquer coisa que eu queria.
Não teria me formado em três faculdades, não teria viajado pela África, Suécia e Dinamarca de mochila, não teria viajado para o Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso. Não teria amizades tão duradouras. Não teria trabalhado e estudado com pessoas tão excepcionais. Não teria tido paixões inesquecíveis.
Hoje, só posso dizer: Mãe, relaxa. Tá tudo dando certo. Do jeito que você sempre disse!

Sei bem do o que é isso…coração de mãe não se engana.
Das vezes que não ouvi minha mãe me decepcionei,deu tudo errado. Elas sabem o que é melhor pra nós…