Quando eu era criança ficava preocupada com qualquer inseto que entrasse no carro, porque eles iriam pra muito longe da casa deles e iriam acabar se perdendo da família e dos amigos. Tinha também a mania de salvar as formigas que eu encontrava se debatendo dentro da pia ou numa poça de água.
Quando eu era criança, arrancava a casquinha de toda e qualquer ferida muito antes dela cicatrizar. E chorava, por qualquer coisa, não só quando caía e me machucava.
Quando eu era criança, gostava de viajar de carro com o meu pai, mãe e minhas irmãs anotando frases de caminhão no trajeto e observando as pessoas dos outros carros…
Quando eu era pequena, em dia de calor e chuva, corria com minha irmã Kelly pra pular na rua e ficar toda ensopada, mesmo que isso significasse uma bronca da minha mãe. Nessa época, ao contrário de medo de levar bronca eu morria de medo de almas e da morte.
Quando eu era criança, queria ser a primeira da turma em notas, brigava por 0,5 ponto, mesmo que minha média final fosse 9,5.
Quando eu era criança me esforçava o ano inteiro só pra ganhar a medalha de melhor aluna, concedida pelo colégio que eu estudava. Adorava ver a carinha da minha mãe na platéia quando era eu quem subia para receber…
Quando eu era criança, gostava muito de dançar, mas os cursos não me prendiam tanto, não gostava de monotonia. Fiz balé, dança flamenca, dança de salão e quando achava que estava na “mesmisse” desanimava. Imediatismo total!
Quando eu era criança ficava horas na sala dançando minhas músicas preferidas, sozinha… E quando não conseguia o disco de vinil, caso do “Pintinho Amarelinho” do Gugu Liberato, esperava até o final do programa só para ter o gostinho de escutar, dançar e extravasar… Era o meu momento…
Quando eu era criança, eu sempre deixava a melhor parte da comida para o fim, mesmo que isso significasse comer a massa de panqueca sem o recheio. E nunca sabia escolher uma sobremesa só, tinha sempre que experimentar das minhas irmãs um pedacinho de cada doce disponível no prato delas pra só então decidir qual era o melhor…
Quando eu era criança, esperava ansiosamente pelo dia do meu aniversário. O que eu não poderia imaginar, é que chegaria nessa idade e continuaria igualzinha, fazendo e gostando de todas essas coisas.