Essa chuva e eu aqui, sem nada pra fazer… Que tédio!
Não agüento mais. Preciso desabafar.
Sabe aqueles dias em que não tem nada ruim de verdade acontecendo, nem nada que valha ser contado ou mereça os créditos por te deixar mal?
Esses dias são mesmo muito desagradáveis. E eu estou tendo um deles, neste exato momento.
Não tenho vontade de falar, nem de derramar as lágrimas que deixam nublada minha visão.
A tristeza transparece e as perguntas de "O que houve?" só me deixam pior e até um pouco irritada.
Sinto-me mal, há pessoas com problemas de verdade e reclamar dos meus, que são insignificantes, não irá ajudá-las. Hoje, trancafiada no meu estúdio de fotografia o dia inteiro, sou vítima de um sofrimento tipo Goethe, como no Werther, que amava e sofria sozinho, um sentimento gratuito e triste por excelência.
Mas no meu caso não é amor, é tédio mesmo.
E confesso, isso incomoda pra valer.
Porque tudo fica meio cinza e sem graça, e as coisas que ontem me fizeram sorrir, hoje não provocam nem uma sombra de alegria. Além de tudo, fica aquele gosto amargo na boca e parece que todas as palavras saem e soam assim.
Eu gostaria mesmo de desabafar, mas não quero parecer ridícula. Afinal nem tenho algo ruim de verdade para contar.
Então por que diabos estou assim?
Vou escrever, é vou escrever.
Uma carta? Um texto? [Sou patética.]
Um texto então…
“A chuva bate na janela e emite um som de água caindo, mas o som de alguma forma não me atinge…”
[Isso é mais patético ainda.]
Vou ligar pra alguém e contar o que estou sentindo! Não, eu não vou fazer isso. Eu nem sei o que estou sentindo. E não quero incomodar nenhuma das pessoas que atenderia ao telefone e dedicariam seus ouvidos e preocupação a mim.
Vou ler um livro, adoro ler.
Pensei melhor, e hoje depois de ler a mesma frase por 7 vezes e ainda assim não saber nem o que estava escrito, desisti.
Resolvo ouvir uma música, mas desisto também.
Televisão? Não, televisão é uma @#$&¨%.
Óh! aborrecimento que preenche meu dia, que já nasceu há algumas horas e demora a acabar… Vá-se embora!
ha-ha.
Agora já chega! Não agüento mais. Tomei uma decisão. Vou dar um basta nesse tédio. Ele não escolhe o dia da visita. Segunda, quarta ou sábado… Tudo que o tédio tem de sobra é tempo, e aproveita os dias livres pra chatear os outros.
Não posso me render a isso!
Estou naquele dia em que penso sem pensar, com o cansaço de pensar; sinto sem que se sinta, com a angústia de sentir…
…Sofro sem sofrimento, quero sem vontade, penso sem raciocínio…
Mas decidi! Vou dar um basta nisso! Não posso terminar a minha noite da forma como começou o meu dia!
Ah! Garanto que não!!!