Chove Chuva… Chove sem parar…

Sábado, 15 de março de 2008. Dia chuvoso… Gosto muito de dias assim, friozinho gostoso para tomar chocolate quente, uma sopa bem quentinha, ler um bom livro com uma manta sobre as pernas ou apenas assistir um filme com a pessoa que eu gostaria de estar…

Acordei bem cedo, como sempre fazia quando era garota, caminhei para o banheiro, escovei meus dentinhos ainda de leite (rs), fiz o que tinha que fazer e fui para o meu estúdio pra concluir algumas apurações para a Revista Veja. Fazer o quê se tem que trabalhar em dias assim?

Recebi um telefonema hoje de um amigo jornalista que há muito tempo não falava… Amigo de verdade… Daqueles pra você guardar sempre… O Fredy. Pensei até que ele tivesse me esquecido! Mas assim como eu, ele preza e muito o valor de uma amizade.

Olhei pela porta do meu estúdio fotográfico e as gotas de chuvas escorriam pelo vidro. Pensava na minha vida até aquele ponto. Toda minha época de faculdade, de pós-graduação… As amizades, as decepções de uma vida repleta de acontecimentos. Poucos anos que passaram tão rápido, mas deixaram tantas lindas lembranças.

E eu que acreditava que todos os amigos que eu realmente gostava estariam na minha vida pra sempre?

Hoje, já sou muito mais sensata e realista. Para sempre’, em minha opinião, é nada mais nada menos que um dia depois do outro. Ou seja, é construção. Em princípio, não existe. Mas basta que façamos a mesma escolha sucessivamente e teremos construído o ‘para sempre’.

O que quero dizer é que o ‘sempre’ não é magia nem tampouco um tempo que pré-exista. Ele é conseqüência. Nada mais que conseqüência de uma sucessão de dias, vividos minuto por minuto.

Quanto ao amor, tem gente que acredita que só é de verdade se durar “até que a morte os separe”. Outras, como o grande Vinícius de Moraes poetizou, apostam no “que seja eterno enquanto dure”.

Eu, neste caso, admiro a coragem de quem vai até o fim, de quem se entrega inteiramente ao que sente, de quem se permite viver aquilo que seu coração pede até que todas as chamas se apaguem. Mais do que isso: até que as brasas esfriem e – depois de todas as tentativas – nada mais possa ser resgatado do fogo que um dia ardeu.

Claro que não estou defendendo a constância indefinida de atitudes desequilibradas, exageros desnecessários ou situações destrutivas. Mas concordo plenamente com o que está escrito no comovente “Quase”, de Sarah Westphal (muitas vezes atribuído a Luiz Fernando Veríssimo):

… “Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar” …

É por isso que insisto: muito mais do que eu me preocupar com o ‘para sempre’, preciso começar a investir no ‘até o fim’, para que o ‘agora’ tenha mais significado, para que as intenções, as palavras, as atitudes e todos os recomeços façam parte de uma história mais sólida e que realmente valha a pena.

No final das contas –  acho que feliz mesmo é quem, apesar de tudo, tem coragem de ir até o fim!

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